Dino determina anulação de emendas indicadas por líderes partidários

Decisão de Dino prevê responsabilização em caso de indicação de emendas por lideranças sem mandato parlamentar

Por Petrônio Viana

Flávio Dino anulou emendas parlamentares indicadas por líderes partidários sem mandato

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a anulação das emendas parlamentares indicadas por dirigentes partidários e sugeriu a aplicação de punições caso a ordem seja descumprida. De acordo com a decisão, qualquer ato administrativo no sentido de incluir no Orçamento da União emendas solicitadas por líderes de partidos políticos é “juridicamente inidôneo e revestido de nulidade absoluta”.

“Qualquer ato, tabela, expediente, comunicação, planilha, ofício ou solicitação que pretenda atribuir a presidente de partido político ou a ex-parlamentar a autoria, titularidade ou poder de indicação sobre emenda parlamentar deve ser considerado juridicamente inidôneo e revestido de nulidade absoluta, não podendo servir de fundamento para a prática de atos administrativos destinados à execução da despesa pública”, disse o ministro, na decisão.

Flávio Dino também determinou que seja dada “imediata e ampla ciência aos órgãos técnicos, assessorias, servidores e demais agentes envolvidos no processamento das indicações de emendas parlamentares”.

A decisão, publicada neste domingo (23), concedeu prazo de 5 dias úteis para que os presidentes do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), e do Podemos, Renata Abreu, se manifestem sobre a eventual participação de lideranças das legendas no processo de indicação de emendas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Os dois são os únicos que ainda não enviaram resposta ao questionamento do ministro. O prazo para manifestação foi encerrado na quarta-feira (19).

Em junho, Flávio Dino determinou a suspensão do pagamento de 21 emendas e bloqueio de bens no valor de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pela suspeita de desvio de finalidade com a indicação de emendas sem mandato parlamentar. O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos), também foi alvo de um bloqueio de R$ 6 milhões.