STF adia decisão sobre mandato-tampão e mantém indefinição no governo do Rio

Supremo retirou o caso da pauta desta quarta-feira e ainda não definiu nova data. Julgamento discute se sucessor de Cláudio Castro será escolhido por eleição direta, indireta ou se Ricardo Couto permanecerá no cargo até janeiro.

Por Bianca Lobianco

Ricardo Couto continua a frente do governo do Rio por determinação do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou o julgamento que pode definir o formato do mandato-tampão para o governo do Rio de Janeiro. O caso estava previsto para ser analisado nesta quarta-feira (19), mas foi retirado da pauta para dar lugar ao julgamento sobre a aplicação de medidas protetivas da Lei Maria da Penha em casos de violência de gênero fora do ambiente doméstico. Não há nova data definida para a retomada.

A decisão prolonga a indefinição sobre quem comandará o Estado até a posse do governador eleito em outubro. Atualmente, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), permanece como governador interino por decisão do ministro Cristiano Zanin, posteriormente referendada pelo plenário.

O julgamento do STF discute principalmente se a escolha do governador-tampão deverá ocorrer por eleição indireta, com votação dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ou diretamente pelos eleitores. Antes da interrupção do processo, o placar estava em 4 a 1 pela eleição indireta. Votaram nesse sentido Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia. Relator de uma das ações, Cristiano Zanin defendeu a eleição direta.

O julgamento havia sido interrompido em abril após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com a devolução do processo, o caso foi novamente pautado para agosto, mas a nova retirada impede, por enquanto, que o Supremo conclua a análise.

A permanência de Ricardo Couto também está no centro da disputa. O presidente da Alerj, Douglas Ruas, reivindica assumir o governo com base na regra de sucessão prevista na Constituição estadual. O STF, porém, já manteve Couto no cargo mesmo após a eleição de Ruas para comandar o Legislativo fluminense.

A proximidade das eleições de outubro aumenta a pressão sobre o Supremo. Um novo pedido de vista, por exemplo, poderia suspender novamente a análise por até 90 dias e levar a definição para depois do primeiro turno, previsto para 4 de outubro. Nesse cenário, a realização de uma eleição específica para o mandato-tampão poderia perder efeito prático.

Enquanto não houver uma nova decisão do STF, Ricardo Couto segue à frente do Executivo estadual. A Corte ainda terá de definir se haverá eleição para o mandato-tampão e, caso haja, se ela será direta ou indireta.