Após meses de desgaste com o governo dos Estados Unidos (EUA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou para o presidente norte-americano Donald Trump (Republicano) para conversar sobre as sobretaxas de 25% impostas a produtos brasileiros – que podem chegar a 37,5% dependendo dos produtos.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), os chefes de Estado conversaram por telefone nesta sexta-feira (21) “em tom amistoso e cordial” durante uma hora e vinte minutos. Trump propôs uma reunião entre os principais representantes comerciais dos dois países para tratar do tema “o mais brevemente possível”. O foco do diálogo entre os chefes de Estado foi sobre tarifaço e segurança pública. Eles não citaram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Horas depois da ligação entre Lula e Trump, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, solicitou uma reunião com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa, para que os representantes comerciais tratem do tarifaço. A expectativa é que o encontro ocorra nesta semana.
“Infundados”
Na ligação, Lula disse que os argumentos adotados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (URTS) para implementar as tarifas são “infundados”. Reiterou que “as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, e afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”, segundo a nota do governo. O presidente Donald Trump concordou no interesse em “preservar vínculos comerciais fortes” e propôs as novas reuniões.
As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros foram comunicadas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), alegando que a medida é resultado de uma investigação do USTR contra o Brasil por supostas práticas desleais contra o mercado norte-americano. A taxação se baseia na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974. Ela permite que o governo dos EUA investigue e retalie países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses americanos.
Dentre os pontos citados pelos Estados Unidos contra o Brasil estão: o Pix, corrupção, acordos comerciais com outros países, proteção a propriedade intelectual norte-americana (o combate à pirataria), desmatamento ilegal e o acesso ao mercado de etanol. Além disso, o governo americano ainda acrescentou o Brasil na lista de 60 países que os Estados Unidos acusam de falhar no combate ao trabalho forçado e determinaram uma taxa extra de 12,5% voltados para itens manufaturados e do agronegócio – ou seja, uma taxação de 37,5% para esses setores.
Outros assuntos
O governo brasileiro avalia a ligação como positiva, mas se mantém atento para uma eventual manifestação de demais membros da Casa Branca e do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O Poder Executivo brasileiro considera que o tema não será resolvido antes das eleições gerais em outubro.
Na conversa, Trump questionou Lula sobre como está o processo eleitoral no Brasil e Lula informou que os preparativos para as eleições vão bem e enfatizou que “o processo eleitoral é confiável”.
Além das tarifas dos EUA a produtos brasileiros, os chefes de Estado também conversaram sobre o crime organizado no Brasil. O presidente brasileiro disse que o Brasil tem interessem em uma cooperação com os EUA para combater o crime organizado, mas disse que o Brasil tem condições de combater as facções criminosas locais.
Segundo Lula “grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”. A declaração se refere a quando os Estados Unidos classificaram as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) com organizações terroristas, o que permite uma eventual intervenção militar norte-americana.
Na conversa com Lula, Trump se limitou a dizer que mobilizará funcionários do alto escalão do governo dos EUA para se reunirem com representantes brasileiros para tratarem do assunto.
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