Política

O estranho caso da denúncia contra Alfredo Gaspar

Versões contraditórias do denunciante em diversos momentos levantam diversas dúvidas sobre o caso

O estranho caso da denúncia contra Alfredo Gaspar
O homem que denunciou Gaspar mudou várias vezes de versão Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Desde que foi anunciado como candidato à Vice-Presidência na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), voltou a ter sob os holofotes uma denúncia de estupro de vulnerável que ele supostamente teria cometido contra uma adolescente, que estava parada no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação segue em andamento.

Contudo, recentemente, relatos alterados do denunciante do caso, com denúncias contraditórias, levantam questionamentos.

Entenda

Em março, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram para a Polícia Federal (PF) uma denúncia-crime contra Gaspar por suposto estupro de vulnerável de uma jovem que na época teria 13 anos e teria ficado grávida.

Eles ainda solicitaram que os policiais investigassem suposto pagamento realizado por Gaspar de R$ 70 mil e uma negociação de pagamento de outros R$ 400 mil para "assegurar silêncio, impedir a comunicação do crime e garantir impunidade". O comerciante Luiz Antônio Lopes é apontado como a pessoa que procurou os parlamentares para apresentar a denúncia.

Porém, em abril, Luiz Antônio Lopes procurou o gabinete de Alfredo Gaspar e prestou um novo depoimento sobre o caso na Câmara dos Deputados, no qual declarou que as acusações eram uma armação de Lindbergh para incriminar o deputado do PL – que na época era o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava os desvios ilegais do INSS. Uma semana após o depoimento, Lopes se filiou ao Partido Liberal.

Em maio, a Câmara encaminhou a denúncia de Luiz Antônio para o STF. Lindbergh negou todas as acusações e, nesta segunda-feira (10), acionou o STF pedindo anulação da investigação. Por meio de suas redes sociais, o parlamentar resgatou vídeos antigos do comerciante que atacam o petista e outro vídeo em que ele ameaça assassinar o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

Lopes foi procurado outras vezes pela imprensa na última semana e mudou novamente as versões da acusação, voltando a acusar Gaspar do crime, mas sem apresentar provas.

Por determinação judicial, em abril, Gaspar realizou a coleta de material biológico para exame de DNA. O alagoano sempre negou as acusações do crime. Quando foi anunciado como vice na chapa de Flávio na última semana, ele pediu que a PGR e o STF acelerassem a análise do material para, segundo ele, afastar o quanto antes as denúncias contra ele.

Em meio aos relatos contraditórios, o PL acusa os denunciantes de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo. Na terça-feira (11), a campanha de Flávio Bolsonaro acusa o PT de criar a narrativa devido a atuação de Gaspar na CPI do INSS, quando ele pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

A denúncia chegou ao Supremo Tribunal Federal em abril e está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. O decano da Corte acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para ouvir a avaliação da PGR antes de dar prosseguimento ao processo. Portanto, o procedimento da notícia-crime contra Gaspar ainda não foi oficialmente aberto. A PGR que solicitou aos denunciantes informações complementares e mais provas antes de analisar o caso.