No mesmo dia em que presquisa Genial/Quaest apontou uma recuperação do senador Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral, o candidato do PL anunciou quem será o seu candidato a vice-presidente. Era também o último dia determinado no calendário eleitoral para convenções partidárias. Assim, diante da constatação de que fato não conseguiria ampliar a sua coligação, agregando à sua aliança outros partidos, Flávio Bolsonaro anunciou que seu companheiro de chapa será o deputado do PL de Alagoas, Alfredo Gaspar.
Embora o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tenha declarado que o nome de Alfredo Gaspar já tinha sido escolhido por Flávio Bolsonaro há seis meses, a decisão, na verdade, foi tomada entre terça (3) e quarta-feira (4). E envolveu diversos fatores. O principal deles o fato de Alfredo Gaspar ter sido o relator da CPMI do INSS. Há uma constatação no PL de que o eixo de desgaste político na campanha deslocou-se dos casos que envolviam Flávio – o pedido de financiamento do filme Dark Horse a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a briga dele com a madrasta, Michelle Bolsonaro – para o escândalo do INSS. E especialmente para os pontos do escândalo que atingem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: as investigações sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre seu ex-chefe de Gabinete Marco Aurélio Santana, Ribeiro, o Marcola.
Gaspar como vice ajudaria a reforçar neste momento o ataque a Lula quanto à questão do INSS. “Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS”, destacou Flávio, ao anunciar, na manhã desta quarta-feira, o nome de Alfredo Gaspar como seu vice. “Alguém que pediu a prisão preventiva de Lulinha porque tinha culpa no cartório. E que representa o Nordeste de fato”. Em seu relatório, que acabou rejeitado na CPMI, Gaspar pedia o indiciamento e a prisão preventiva do filho de Lula.
Alagoas
Além da aposta no desgaste de Lula a partir do escândalo do INSS, outro fator que pesou na escolha de Alfredo Gaspar foi a o arranjo político em Alagoas.
Na noite de terça-feira, Gaspar tinha anunciado nas suas redes sociais que seria candidato a senador no estado. Uma situação que poderia prejudicar as chances eleitorais do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, candidato a senador pelo PP.
Segundo levantamento recente do Paraná Pesquisas, a disputa pelo Senado em Alagoas estava acirrada entre Gaspar, Lira e o senador Renan Calheiros (MDB), que tenta a reeleição. Gaspar liderava com 40,4%, empatado na margem de erro com Lira (39,8%). Renan aparecia com 36,4%.
Embora nacionalmente o Progressistas tenha decidido neutralidade na disputa presidencial, em Alagoas o PL tinha um acordo para apoiar Arthur Lira. E o ex-presidente da Câmara cobrou a entrada de Gaspar na disputa por considerar que isso poderia prejudicá-lo.
Gaspar entrara na disputa depois que o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, pediu ao PL a candidatura ao Senado para ele ou alguém de sua família – sua esposa, Marina Candia, ou sua mãe, Eudócia Caldas. Valdemar negou. JHC acabou saindo do PL e se filiando ao PSDB, por onde será candidato a governador.
Lira, então, cobrou o acordo de Valdemar. E isso ajudou também a definição pelo nome de Alfredo Gaspar para vice. Com isso, o PL apoia Lira em Alagoas, abrindo, então, as chances de eleição para ele e Renan Calheiros.
Segurança pública
Gaspar também pode reforçar na campanha o discurso de segurança pública. Ele foi promotor e procurador-geral de Justiça. Foi ainda secretário de Segurança Pública de Alagoas.
Alfredo Gaspar está em seu primeiro mandato como deputado federal. E ganhou destaque após ser o relator da CPMI do INSS.
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