A decisão do PP e da federação União Progressista, do qual faz parte, de permanecerem neutros na disputa pelo Palácio do Planalto obrigou o PL a recalcular a rota na reta final da montagem da chapa presidencial.
A possibilidade de ter a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice de Flávio Bolsonaro, tratada nos bastidores como uma das principais apostas para ampliar o diálogo com o centro, perdeu força. Sem o apoio da federação, o partido voltou a discutir outros caminhos para fechar a composição antes do início oficial da campanha.
Republicanos
Com a porta praticamente fechada no PP, as articulações passaram a se concentrar no Republicanos. Nos bastidores, o presidente da legenda, Marcos Pereira, iniciou consultas aos diretórios estaduais para medir o ambiente interno sobre uma eventual aliança com o PL na disputa presidencial.
As negociações vão além da escolha do vice. O desenho passa por acordos regionais e inclui a possibilidade de o PL abrir mão de candidaturas em estados onde o Republicanos tenha nomes mais competitivos, como São Paulo, Sergipe, Acre e Rio de Janeiro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participa das conversas e tem defendido o entendimento entre os dois partidos.
Entre os nomes que seguem no radar de Flávio está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, hoje filiada ao Republicanos. Apesar da boa avaliação do presidenciável, dirigentes da legenda ponderam que ela não possui trajetória partidária nem representação junto à bancada, fator considerado importante para ocupar a vaga.
Plano B
Caso a conversa com o Republicanos não avance, o PL mantém uma alternativa de reserva: lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido.
Internamente, porém, essa possibilidade ainda é vista como a última opção. A avaliação de dirigentes é de que uma aliança com outra legenda amplia o alcance político da candidatura, fortalece a presença regional da campanha e facilita a construção de palanques estaduais.
Com Tereza Cristina fora do cenário e sem uma definição sobre o parceiro de chapa, Flávio Bolsonaro inicia agosto ainda em busca de um nome que reúna apoio partidário e ajude a ampliar o espaço político da candidatura além da base tradicional do PL.
Definições paralelas
Enquanto tentava destravar a escolha do vice, o PL também conduzia outras conversas estratégicas para a eleição. Em reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro discutiu os próximos passos de sua participação na campanha e afirmou que qualquer definição seria tomada em conjunto com Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Michelle afirmou que a prioridade era acompanhar o ex-presidente, que, segundo ela, vive um período delicado após as restrições impostas pela Justiça. Também disse que evitava levar temas políticos para dentro de casa como forma de preservar um ambiente mais tranquilo durante a recuperação do marido.
Nos bastidores, integrantes do partido tratavam, no entanto, as duas discussões de forma independente. A avaliação era de que a definição sobre a candidatura de Michelle ao Senado não deve interferir diretamente nas negociações para a composição da chapa presidencial.
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