Em SP, Milei chama Lula de "presidiário" e Moraes de "lixo careca"
Em discurso na convenção do PL, Milei atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes; presidente do STF, Edson Fachin classificou fala como "desrespeitosa"
Na convenção do PL em São Paulo, o presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”. As declarações foram feitas durante o encontro que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O argentino acusou Lula de “espalhar o comunismo” na América Latina e defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro apontando uma suposta crise econômica pela política fiscal do governo brasileiro.
“O Brasil ainda não experimentou as consequências mais desastrosas desse modelo, mas poderá experimentar se não mudar de rumo. Confiamos em você, Flávio, para parar com essa palhaçada socialista”, disse Milei.
“O desperdício tem consequências, e esperemos que quem o causou pague o preço perdendo nas urnas em outubro. Hoje, o socialismo está sendo erradicado na Argentina, Colômbia, Chile e Equador, e esperamos que em outubro chegue ao Brasil”, afirmou o presidente da Argentina.
O ministro Alexandre de Moraes foi alvo de Milei por ter negado a visita do argentino ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em prisão domiciliar, Bolsonaro foi proibido por Moraes de receber visitas pessoais por 30 dias e visitas político-eleitorais até as eleições deste ano após violar uma medida cautelar que o proíbe de usar redes sociais próprias e de terceiros.
“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo, injustamente encarcerado, quando sei que Lula cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández”, disse Milei, citando o ex-presidente argentino.
Resposta de Fachin
Após as declarações de Milei sobre o ministro Alexandre de Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, emitiu nota classificando a fala do argentino como “deplorável” e “desrespeitosa”. O ministro reafirmou ainda a autonomia da Corte para tomar decisões como as que foram criticadas por Milei.
“Tomei conhecimento da declaração do presidente da Argentina sobre ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, disse Fachin.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, afirmou o presidente do STF.