Gilmar Mendes rebate ataque de Flávio Bolsonaro a urnas eletrônicas
Ministro do STF, Gilmar Mendes classificou declarações de Flávio Bolsonaro em evento com diplomatas como "graves e absurdas"
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reagiu às declarações do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, de que um relatório da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, afirmava que as urnas eletrônicas usadas nas eleições no Brasil eram da mesma empresa que fornece os equipamentos para a Venezuela.
Para Gilmar Mendes, as afirmações de Flávio, feitas a diplomatas e autoridades estrangeiras durante o evento "Debatendo o Brasil", promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, foram “graves e absurdas”.
“Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, disse o ministro ao G1.
Gilmar Mendes alertou ainda que a utilização de relatórios de outros países para levantar suspeitas sobre a lisura das eleições no Brasil configura interferência indevida. O ministro também lembrou que as alegações feitas pelo senador foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2020.
No evento, Flávio Bolsonaro disse que parte dos equipamentos usados nas eleições brasileiras foram comprados da empresa Smartmatic, que fornece as urnas eletrônicas para a Venezuela. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse o senador.
“Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, disse o pré-candidato à Presidência.
Na nota divulgada em 2020, o TSE esclareceu que os equipamentos usados no Brasil têm origem nacional. “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, afirmou o TSE.
Reunião de Bolsonaro
O episódio foi comparado à reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros em 2022, no Palácio da Alvorada, na qual o então presidente fez ataques às urnas eletrônicas e levantou suspeitas de manipulação das eleições daquele ano. As acusações resultaram em um processo por abuso de poder político pelo qual Bolsonaro foi condenado à inelegibilidade até 2030.
Para os ministros do STF contatados pelo G1, Flávio repetiu o “roteiro” usado pelo pai em 2022 e levantou suspeitas sobre as eleições brasileiras, diante de representantes de outros países, usando imformações falsas que já foram desmentidas.
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o pré-candidato tivesse “questionado o sistema de votação brasileiro” citando relatório da CIA sobre fraudes nas eleições da Venezuela.