Oposição acusa Moraes de "interferir no jogo político" em decisão

Líder da oposição, Rogério Marinho afirma que decisão de Moraes de suspender visitas de Flávio a Jair Bolsonaro foi "autoritária e desproporcional"

Por Petrônio Viana

Alexandre de Moraes proibiu visitas de Flávio a Jair Bolsonaro por 90 dias

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “interferir no jogo político” ao proibir as visitas de Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, Jair Bolsonaro, após a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente nas redes sociais.

A suspensão anunciada nesta segunda-feira (13) vale por 90 dias e impede o contato do senador e pré-candidato à Presidência com Bolsonaro até depois do primeiro turno das eleições.

“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, disse Marinho, em nota.

Jefferson Rudy/Agência Senado - Rogério Marinho afirma que decisão de Moraes foi "autoritária"

“A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”, afirmou o líder da oposição no Senado.

No comunicado, Rogério Marinho compara a prisão de Bolsonaro com a de Lula, em 2018, alegando diferença de tratamento, uma vez que “Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados”.

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por tentar articular uma tentativa de golpe de Estado com aliados. A maior sentença de Lula foi a 17 anos de prisão por suposta propina no caso da reforma de um sítio na cidade de Atibaia (SP). Em 2021, o STF anulou todas as condenações do presidente no âmbito da Operação Lava Jato por considerar que a 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba não tinha competência para julgar o caso.

Reprodução/Redes sociais - Flávio Bolsonaro leu carta em transmissão ao vivo em suas redes sociais; vice-líder do PT aponta violação de medida cautelar

“Durante a campanha eleitoral [de 2018], [Lula] manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais. Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento”, criticou Marinho.

“Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa”, disse o senador.

Na decisão, Moraes aponta o suposto descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Bolsonaro que o proíbe de usar redes sociais para divulgar mensagens.

“Utilizando-se do seu direito de visita, FLÁVIO NANTES BOLSONARO obteve uma carta do sentenciado JAIR MESSIAS BOLSONARO, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais. Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de FLÁVIO NANTES BOLSONARO desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita, permitindo, nos termos do §1º do artigo 41 da Lei de Execuções Penais, sua imediata suspensão

Leia abaixo a íntegra da nota do senador Rogério Marinho:

“NOTA

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político.

A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.

O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.

Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.

Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa.

Senador Rogério Marinho
Líder da Oposição no Senado Federal”