Tarifaço: governo aponta "fala eleitoral" de Flávio Bolsonaro nos EUA
Na avaliação do governo, discurso de Flávio Bolsonaro teve como foco as eleições de outubro, em detrimento dos impactos econômicos do tarifaço
Na avaliação de parlamentares e integrantes do governo Lula, o discurso de Flávio Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (7), nos Estados Unidos, durante a audiência pública que debateu a imposição da tarifa de 25% sobre produtos nacionais, teve um tom “puramente político-eleitoral”, direcionado a atacar o presidente brasileiro.
Depois da audiência, o senador admitiu ter feito uma “defesa política” do cancelamento da taxação, focando no suposto benefício político que a medida traria a Lula em ano eleitoral. O posicionamento frustrou empresários que esperavam um discurso voltado ao impacto econômico da tarifa em setores produtivos do Brasil.
“Acabei de fazer aqui a defesa do Brasil contra as tarifas e contra o Lula também. Fizemos aqui uma defesa técnica, mas também política, explicando que o único que quer essa tarifa no Brasil é o Lula, achando que isso pode ter algum benefício eleitoral para ele”, disse Flávio Bolsonaro, em suas redes sociais, ao deixar a audiência.
“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão. Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negocia”, disse o senador, em seu discurso.
Caso Master
Assessores de Lula apontaram como inútil a tentativa de Flávio Bolsonaro em associar Lula ao escândalo do Banco Master, feita em sua fala ao Escritório do Representante do Comércio dos EUA. “Neste ponto, com certeza ele não engana os assessores americanos, que sabem muito das notícias sobre a cobrança que o senador fez a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai”, disse um assessor do presidente ao G1.
Para o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais de Lula, José Guimarães, Flávio Bolsonaro “foi oferecer a pátria de bandeja na reunião do Escritório de Comércio”.
“Em vez de defender o fim do tarifaço, pediu aos Estados Unidos que adiassem a imposição das tarifas para depois da eleição, porque sabe que o povo brasileiro não suporta gente entreguista. O povo tem orgulho de um Brasil soberano, que não se ajoelha diante de ninguém”, disse o ministro.
Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a participação do senador na audiência como “diplomacia clandestina da pior qualidade”.
Outra crítica governista ao discurso de Flávio Bolsonaro na audiência partiu do vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT).
“Ele não foi defender o Brasil, mas apenas tentar apagar as próprias digitais. No passado, comemorou o tarifaço contra o país e agradeceu a Trump. Agora, só pede o adiamento. Diz que é o pior momento. Depois da eleição, pelo visto, o Brasil que se vire”, disse Lindbergh.