Correio da Manhã
Política

Flávio Bolsonaro pede que EUA cancele tarifa para não beneficiar Lula

Em audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro mostrou mais preocupação com efeitos políticos das tarifas do que com impactos econômicos

Flávio Bolsonaro pede que EUA cancele tarifa para não beneficiar Lula
Ao lado de Eduardo, Flávio Bolsonaro pediu cancelamento de tarifa dos EUA devido a efeitos políticos Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em audiência pública realizada pelo governo dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu o cancelamento da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros para evitar benefícios políticos a Lula em ano eleitoral. Para o pré-candidato do PL à Presidência, esse seria “o pior momento possível” para impor a taxação ao Brasil.

“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão”, afirmou Flávio Bolsonaro.

“Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, disse o senador.

Convidado para a audiência pública para debater o tema, Flávio Bolsonaro discursou em inglês, acompanhado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em sua fala, o pré-candidato manifestou mais preocupação com o efeito das tarifas nas eleições presidenciais do que com seus impactos econômicos e disse haver “grandes chances” de uma mudança no governo brasileiro a partir de 2027.

“Acho que vocês estão usando as tarifas (...) para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos”, disse o senador em seu discurso, sugerindo a substituições de tarifas por sanções como a Lei Magnitsky.

“Defesa política”

Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro admitiu ter feito uma “defesa política” do cancelamento das tarifas, mas acusou Lula de ser “o único que quer” a taxação por motivos eleitorais. “Acabei de fazer aqui a defesa do Brasil contra as tarifas e contra o Lula também. Fizemos aqui uma defesa técnica, mas também política, explicando que o único que quer essa tarifa no Brasil é o Lula, achando que isso pode ter algum benefício eleitoral pra ele”, disse o senador.

“É impressionante como é que tinha todo mundo lá, os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém do governo Lula escalado pra fazer a defesa nessa espécie de tribunal, que é quem vai sugerir ou não que as tarifas sejam aplicadas ao presidente dos Estados Unidos, que vai tomar a decisão dele, política, no final”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O prazo para implementação das tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR) dos EUA sobre o Brasil termina no próximo dia 15. Até lá, o presidente Donald Trump precisa definir os critérios e a efetividade da taxação, apontada para solucionar supostas práticas que “oneram e restringem” o comércio entre os dois países.