Se a Corte queria melhorar sua imagem, nada poderia chamuscá-la mais do que a notícia de envolvimento de um ministro e de seu filho na Confederação Brasileira de Futebol
06 de julho de 202622:50Rafael Oliveira
Francisco "Chico" Mendes, filho de GilmarCrédito: Divulgação/IDP
Se o Supremo Tribunal Federal (STF) procurava melhorar a imagem, nada poderia chamuscar mais a Corte do que a notícia do envolvimento do ministro Gilmar Mendes com a CBF. Tem viralizado nas redes sociais o resgate das notícias que colocam o filho do ministro na marca do pênalti, inclusive na convocação de Neymar. O efeito explosivo do fracasso do Brasil é de uma bomba atômica.
Em agosto de 2023, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), faculdade que tem Gilmar Mendes e seu filho, Francisco "Chico" Mendes, como sócios, firmou um contrato com a CBF.
A proteção dos orixás para o baiano Ednaldo
Ednaldo Rodrigues, ex-presidente da CBFCrédito: Divulgação/CBF
O então presidente da CBF que assinou o contrato com o IDP, o baiano Ednaldo Rodrigues, foi destituído do cargo pela Justiça do Rio por irregularidades em sua eleição. Ednaldo recorreu ao Supremo Tribunal Federal e a ação caiu sob a relatoria do próprio Gilmar Mendes. O ministro não se declarou impedido, ignorou os pedidos de afastamento e concedeu uma liminar para reconduzir Ednaldo Rodrigues ao cargo.
O Samir que sumiu
Quando Ednaldo Rodrigues teve de voltar para a Bahia após sofrer um novo afastamento (definitivo) e desistir de recorrer em 2025, o comando passou para o atual presidente, Samir Xaud, que é ex-aluno do IDP. Ele foi eleito mesmo sob forte rejeição de 32 dos 40 principais clubes do futebol brasileiro. Depois que Léo Dias abriu a caixa de Pandora dos casos amorosos do rapaz, ele sumiu da ribalta em plena Copa do Mundo 2026.
Quem apareceu foi o Chico
Francisco "Chico" Mendes, filho do ministro, tornou-se a figura de maior poder de bastidor dentro da entidade. Praticamente todas as principais diretorias da CBF (Executiva, Financeira e Jurídica) passaram a ser ocupadas por profissionais vinculados ao IDP.
Pezinho na FIFA
Além de exercer influência direta sobre as decisões internas sem possuir um mandato eletivo na CBF, Francisco Mendes também atua como membro do Comitê Disciplinar da Fifa. Durante o torneio nos Estados Unidos, ele assumiu o papel de liderança da delegação brasileira, consolidando seu trânsito político no futebol internacional.
Algo que a população compreende
Na avaliação dos zeladores de imagens do STF, o envolvimento de um ministro da corte com o desempenho pífio da Seleção na pior participação em um mundial desde 1990 é algo que gruda; e irrespondível pelos fatos registrados pela mídia. Algo pior do que Banco Master com contratos e participação em resorts. É um fato que toca toda a base da população brasileira. O estrago está sendo visto com uma enorme preocupação e o receio do uso como combustível eleitoral é gigante.
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