Lula diz não aceitar tarifaço dos EUA em reunião do "Conselhão"
Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento, Lula disse que o governo deve "dignidade e respeito aos trabalhadores brasileiros"
O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o “Conselhão”, que o governo “não tem o dever de aceitar” a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos.
“Essa última imputação de taxa que eles [os EUA] colocaram para nós, nós não temos o dever de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui com os trabalhadores brasileiros", afirmou o presidente.
Lula questionou os argumentos apresentados pelos EUA de que a aplicação das taxas beneficiaria trabalhadores norte-americanos. O presidente cobrou a elaboração de um “estudo urgente” que comprovasse a alegação feita pelo governo de Donald Trump.
“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano. Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro não sei das quantas impor multa, impor multa contra o desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas e que nós ainda estamos como jogador, cortando só um pedacinho [de cabelo] aqui do lado?”, comparou.
Na semana passada, o Representante Comercial dos EUA anunciou a aplicação de duas tarifas sobre produtos brasileiros importados pelo país. A primeira, de 25%, se refere a práticas e omissões comerciais do Brasil, que, segundo os EUA, “oneram” as relações comerciais entre os dois países, entre elas o Pix, o desmatamento ilegal, a falta de efetividade no combate à corrupção e na proteção da propriedade intelectual.
Em seguida, a segunda tarifa, de 12,5%, incluiu o Brasil entre 60 nações que teriam falhado no combate à exportação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.