CEO da AtlasIntel responde à suspensão de pesquisa por Nunes Marques

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, afirma que o instituto já sofreu "ataques à reputação" em outras oportunidades e "se consolidou ainda mais"

Por Petrônio Viana

Andrei Roman reagiu à decisão de Nunes Marques sobre pesquisa que mostrou queda de Flávio Bolsonaro

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, respondeu à decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação do resultado da pesquisa publicada em 19 de maio pelo instituto, em ação protocolada pelo PL. De acordo com o executivo, “muitos tentaram atacar a reputação [doa AtlasIntel] quando os resultados não lhes convinham”.

O levantamento mostrou uma queda de 6 pontos percentuais do senador Flávio Bolsonaro (PL) frente a Lula (PT) no cenário de segundo turno das eleições presidenciais. A representação argumentou que as respostas teriam sido “contaminadas” a partir da apresentação do áudio de Flávio ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelado no dia 13 de maio.

“Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, afirmou o executivo da AtlasIntel.

“A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa em nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou ainda mais, e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, disse Roman, em suas redes sociais.

Em sua justificativa, o ministro Nunes Marques disse entender que a metodologia aplicada pelo AtlasIntel, incluindo o áudio da mensagem de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, “induziu” os entrevistados a respostas negativas com relação ao senador.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, afirmou o ministro.

“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, disse Nunes Marques na decisão.