Eduardo Bolsonaro acusa Lula de chamar Trump, e não Flávio, de "idiota"

Publicação de Eduardo Bolsonaro corta trecho da fala de Lula em reunião ministerial para acusar o presidente de xingar Donald Trump

Por Petrônio Viana

Eduardo Bolsonaro reagiu à decisão dos EUA de classificar CV e PCC como grupos terroristas

Com julgamento marcado pelo STF pelo crime de coação no curso do processo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro acusou Lula (PT) de chamar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “idiota” durante a reunião ministerial ocorrida nesta quarta-feira (3).

No entanto, no trecho da fala usado pelo ex-parlamentar em suas redes sociais, o presidente brasileiro usa o termo “imbecil” para se referir a Flávio Bolsonaro (PL), a quem atribuiu responsabilidade pela taxação de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos EUA.

Na publicação, Eduardo Bolsonaro afirma que Lula “surtou” e deu “uma aula do que não se deve fazer em termos de diplomacia” durante o encontro com seu primeiro escalão. “Inacreditável, um dia após o Lula defender o meu enforcamento e do meu irmão Flávio Bolsonaro, agora ele vem em público chamar Trump de idiota e Marco Rubio de latino-americano frustrado”, diz o ex-deputado na postagem.

Eduardo Bolsonaro reproduziu um trecho da fala de Lula na reunião, deixando de fora a parte em que o presidente se refere a Flávio Bolsonaro e ao próprio ex-deputado, sem citar nomes. “[...] fomentando essa briga na perspectiva de que, se ele [Trump] taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República? E um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo e não o Lula?”, questiona o presidente no trecho usado por Eduardo.

Na frase completa, Lula fala sobre “brasileiros” que teriam supostamente interferido na decisão dos EUA sobre as novas tarifas. O presidente lembrou dos encontros de Eduardo e Flávio Bolsonaro com Trump, com o secretário de Estado Marco Rubio, com o vice-presidente JD Vance e outros representantes do governo norte-americano, ocorridos na semana passada.

“Sabe o que é triste? É que tem brasileiros, que eu não vou citar o nome aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele [Trump] taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República? E um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não o Lula?”, disse Lula aos ministros.

“Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer que em qualquer outro país do mundo e em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria”, completou o presidente.

Julgamento por coação

O ministro do STF Flávio Dino marcou para o dia 16 de junho o julgamento de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. O ex-deputado é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de negociar sanções a ministros da Corte e incentivar tarifas comerciais do governo dos Estados Unidos para interferir no andamento da ação sobre a tentativa de golpe de Estado, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.

A ação penal está na fase das alegações finais, na qual a PGR pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro. “O inconformismo do réu materializou-se em atos concretos de hostilidade e promessas (efetivadas) de retaliação internacional, com o objetivo claro de paralisar as persecuções penais em curso, o que preenche integralmente os requisitos do tipo penal imputado”, afirmou a PGR.

“Os elementos reunidos nos autos comprovam, portanto, que Eduardo Nantes Bolsonaro praticou, de forma continuada, o crime que lhe é imputado na denúncia”, disse a acusação.