Correio da Manhã
Política

Governo tenta reduzir danos de desvios orçamentários

Segundo ministro do Planejamento, diálogo entre os poderes, mediado pelo STF, tem produzido avanços

Governo tenta reduzir danos de desvios orçamentários
Moretti: maior transparência para as emendas parlamentares Crédito: Diego Campo/Secom-PR

A nova ação da Polícia Federal na semana passada tendo como alvo o deputado Josimar Maranhãozinho (PL-MA) trouxe de volta ao foco o problema do desvio de recursos das emendas parlamentares ao orçamento. Maranhãozinho já tinha sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março. Na quinta-feira (25), a Operação Afluente tornou-o alvo novamente por suspeita de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

O desvio de recursos públicos por expedientes como os que ficaram conhecidos como “orçamento secreto” é tema de ações coordenadas pelo STF pelo ministro Flávio Dino. No programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasileira de Comunicação, a questão foi levada ao ministro do Planejamento, Bruno Moretti, pelo Correio da Manhã, convidado a participar. O Correio perguntou ao ministro como o Executivo agia para evitar que os recursos orçamentários se desviassem no caminho, chegando de fato aos municípios e aos projetos a que se destinam.

“Desde que houve esse diálogo entre os poderes, mediado pelo Supremo, entendo que houve avanços importantes na execução das emendas parlamentares”, respondeu Moretti.

Para o ministro, as questões fundamentais atacadas a partir da ação de Dino têm obtido respostas efetivas: a maior rastreabilidade e transparência das emendas. Trabalha-se agora, segundo Moretti, para que todos os recursos de emendas estejam abarcados por planos especiais para a execução, entre outras medidas. Há também um processo de limitação dessas emendas para maior consolidação fiscal. Ele afirmou, por exemplo, que houve, desde o início dessa discussão, uma redução nos valores de emendas não impositivas de R$ 20 bilhões para algo em torno de R$ 12 bilhões. No caso das impositivas, um trabalho para que não cresçam acima dos limites impostos pelo arcabouço fiscal. As emendas de comissão, há um acerto para que metade sejam destinadas à área da saúde.

“Há, porém, muito ainda a avançar”, ressaltou o ministro. “É sempre importante que estejam as emendas alinhadas às políticas públicas”.