Correio da Manhã
Política

Vorcaro e Paulo Henrique Costa sem acordo de delação premiada

André Mendonça determinou transferência de Vorcaro para Papudinha; PGR também rejeita delação de ex-presidente do BRB

Vorcaro e Paulo Henrique Costa sem acordo de delação premiada
Vorcaro: muitos não sabem de suas conversas com Flávio Crédito: Reprodução / X

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo, determinou, em decisão monocrática nesta quinta-feira (25), a determinou a transferência do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília (PMDF), conhecido como Papudinha. Ele estava detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.

A transferência foi comunicada após a defesa de Vorcaro tentarem firmar duas vezes um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Os pedidos foram negados em ambas as tentativas, pois as autoridades consideraram que o conteúdo dos documentos apresentado pelos advogados do banqueiro já constavam nos aparelhos eletrônicos apreendidos de Vorcaro e, portanto, não justificava firmar um acordo.

De acordo à PGR, reforçado pela decisão de André Mendonça, Vorcaro será transferido para a Papudinha e não para a cela convencional devido aos “riscos inerentes à transferência para cela comum, advindos da exposição midiática do caso e de possível utilização do sistema prisional pelo requerente para obtenção e circulação de orientações a demais membros da organização criminosa”. Com isso, na avaliação do ministro, a medida visa “preservar a segurança do custodiado sem afastar a execução da prisão preventiva em estabelecimento estatal adequado”.

Além disso, o magistrado ainda determinou que a direção do estabelecimento prisional precisa “informar imediatamente qualquer episódio de ameaça, intimidação, constrangimento, coação ou tentativa de interferência entre os custodiados vinculados à referida operação, especialmente caso algum preso venha a ameaçar ou intimidar outro”.

BRB

Nesta quinta-feira a Procuradoria-Geral da República ainda rejeitou a proposta de acordo de delação apresentada pela defesa do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. E tal como na decisão de negar a colaboração premiada do dono do Banco Master, a PGR avaliou que a defesa do ex-presidente do BRB não apresentou elementos novos em relação aos fatos que já foram descobertos pela investigação da PF, tal como não indicou eventuais valores que poderiam ser ressarcidos aos cofres públicos.

Paulo Henrique Costa também está preso na Papudinha e, por isso, André Mendonça determinou que Vorcaro seja incapaz de se comunicar com Costa. “Considerando a presença de outro investigado na Operação Compliance Zero nas mesmas instalações, impõe-se a adoção das providências administrativas necessárias para assegurar a absoluta incomunicabilidade entre o referido investigado e o requerente, com vistas à preservação da higidez e efetividade das investigações em curso”, escreveu o ministro.

Alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero, Costa está preso desde abril, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por receber propina de Daniel Vorcaro na intenção de garantir que o BRB comprasse o Master – a tentativa foi barrada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025. Nas investigações da PF, ele aceitou receber seis imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões.