A senadora Teresa Leitão (PT-PE) é a nova líder do governo no Senado Federal. Com a saída do senador Jaques Wagner (PT-BA), motivada após ele ser alvo da última fase a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) após ser acusado de envolvimento no escândalo do Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a parlamentar como nova líder nesta quinta-feira (25). E na avaliação da consultora de Análise Política na BMJ Consultores Associados Raquel Alves, em entrevista ao Correio da Manhã, apesar de Teresa Leitão estar em seu primeiro mandato como senadora, nos bastidores, ela “tem sido elogiada pelos colegas de bancada do PT e pelo presidente pela atuação na construção de acordos”.
“Além disso, o senador Jaques vinha de uma relação desgastada com o presidente [do Senado, Davi] Alcolumbre, o que nos leva a crer que a atuação dela será de intermediadora de um entendimento direto entre Lula e Alcolumbre do que de protagonismo na proposição de acordos propriamente ditos. Basicamente, ela entra não apenas para tirar Jaques do foco, para reduzir o desgaste já esperado com o envolvimento do colega baiano por seu envolvimento com Daniel Vorcaro, mas entra como ‘pacificadora’ nessa ofensiva de reconstrução de laços entre o Planalto e o presidente do Senado”, explicou Raquel para a reportagem.
Em seu primeiro mandato como senadora da República, Teresa Leitão assume o cargo com uma série de desafios que tramitam no Senado. Dentre eles: a Proposta de Emenda à Constituição que determina o fim da escala 6x1 (PEC221/2019) – que está travada no Senado desde que foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio –, a PEC da Segurança Pública e uma possível nova sabatina do advogado-Geral da União (AGU) Jorge Messias para assumir como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já que Lula confirmou que o indicará novamente para a vaga.
E para das pautas propriamente travadas no Senado, como adiantou a consultora de Análise Política, a expectativa é que ela atue na articulação de uma uma possível reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que vêem enfrentando uma relação desgastada entre ambas as partes nos últimos meses.
Questionada pela reportagem, Raquel Alves reiterou que, apesar de ser novata no Senado em comparação a outros colegas parlamentares, Teresa Leitão atuou como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) por cinco mandatos consecutivos. “Ela ntende a linguagem da política, a importância de propor e cumprir acordos”, afirmou.
Ela ainda completou que outros fatores contribuem para a escolha da nova líder do governo, a começar que ela não será candidata em 2026 (ela exercerá seu mandato até 2031). “Em segundo, ela é mulher e isso dialoga com a preocupação do PT de garantir que haja mulheres em espaços de poder. E por fim, como eu disse antes, ela tem sido muito elogiada dentro da bancada do PT e pelo próprio presidente Lula”, completou a analista política.
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