Apesar de não ter ocorrido um encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), ambos os chefes de Estado se encontraram e conversaram brevemente durante a Cúpula do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, na cidade Évian-les-Bains, na França. Durante entrevista coletiva para a imprensa local nesta quarta-feira (17), último dia da Cúpula, o presidente norte-americano disse que o Brasil tem se tornado um país “difícil, politicamente falando”.
Ele foi questionado se conversou com Lula sobre a decisão do governo dos EUA em aplicar novas tarifas de 25% em importações de produtos brasileiros a partir de 15 de julho e sobre a decisão do governo americano em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Sim [falei com Lula]. [O Brasil] Está se tornando um país duro politicamente. Um pouco perigoso politicamente. Está meio desagradável”, disse Donald Trump.
A declaração se refere à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por coação no curso do processo da trama golpista. Contudo, Trump confundiu Eduardo com o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele não deu mais detalhes sobre a conversa com Lula.
Questionado pela imprensa sobre a declaração de Trump em outra entrevista coletiva no último dia da Cúpula do G7, Lula respondeu que o presidente norte-americano não pode interferir no processo eleitoral brasileiro. “Ele tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque elas são um problema do Brasil. Assim como as eleições americanas é um problema deles, não meu”, retrucou Lula.
Questionado pela imprensa, o brasileiro ainda disse que classificou a decisão do possível novo tarifaço do governo norte-americano com uma decisão “desaforada”.
“Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. Por isso eu disse que ele continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo”, ele declarou.
Guerra
Lula ainda informou que se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. No encontro bilateral, que durou em torno de 40 minutos, tratou da guerra entre a Ucrânia e Rússia (conflito que se estende a quatro anos), possibilidades de um cessar-fogo e “a busca por uma solução diplomática”.
Na coletiva de imprensa, ele ainda informou que conversará pessoalmente com os governantes dos países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. São eles: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e a China.
“Expus minha expectativa de que o Conselho de Segurança da ONU possa atuar de forma mais efetiva para encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos. Acordamos manter contato nas próximas semanas”, manifestou Lula por meio de suas redes sociais após encontrar com Zelensky.
China
Ao citar os acordos comerciais e conversas que teve com os demais países que participaram do G7, o presidente brasileiro defendeu os acordos firmados com a China e reiterou que os países ricos precisam “criar novos consumidores”, especialmente voltados para outros países considerados de terceiro mundo.
“Ninguém tem culpa de que a China tenha se preparado melhor do que os outros [países] sobre a questão dos minerais críticos e das terras raras. Isso virou uma preocupação do mundo, mas é vantagem da China, como os Estados Unidos têm vantagem em outras coisas. Então, o que nós queremos enquanto Brasil, América Latina e países de terceiro mundo, é que quanto mais países estiverem interessados em fazer investimentos nos nossos países, em comprar os nossos produtos e estarem dispostos a contribuir, participando da exploração e da industrialização, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos!”, defendeu Lula.
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