Correio da Manhã
Política

Perto de Trump, Lula critica protecionismo global e unilateralismo

No G7, presidente defendeu que combate ao crime organizado deveria respeitar a soberania dos países

Perto de Trump, Lula critica protecionismo global e unilateralismo
Lula posou com os demais chefes de Estado reunidos no G7 Crédito: Ricardo Stuckert / PR

No segundo dia da Cúpula do G7, grupo formado pelos sete países das maiores economias do mundo, nesta terça-feira (16), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), posaram juntos na foto oficial do evento, que ocorre em Évian-les-Bains (França), mas não apertaram as mãos, tampouco se encontram após a foto. Além disso, sem citar o presidente norte-americano, o presidente brasileiro defendeu o multilateralismo e criticou o protecionismo, especialmente econômico, de governos globais.

“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”, defendeu Lula em sua discurso no G7.

O chefe de Estado brasileiro ainda defendeu que o combate ao crime organizado precisa levar em consideração “a soberania dos Estados”.

“Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados”, disse o presidente brasileiro.

A declaração veio dias após o governo dos Estados Unidos enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas – o que permite aos EUA eventualmente intervir no Brasil, além de aumentar fiscalização em produtos e serviços brasileiros, caso os Estados Unidos considerem que estes sejam uma ameaça ao país.

O Brasil não é membro definitivo do G7. Então, Lula discursou na condição de país convidado pelo governo francês. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional do grupo.

Importação

Para além de um possível encontro com Trump, o presidente brasileiro se reuniu com outros chefes de Estado para firmar parcerias econômicas para o Brasil. Um dos encontros desta terça-feira foi uma reunião que Lula teve com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para discutirem sobre a revisão de restrições a produtos brasileiros, incluindo carne e materiais siderúrgicos. Isso porque, no dia 6 de junho, a União Europeia oficializou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil para os países do grupo europeu. A priori, a medida está prevista para entrar em vigor a partir de 3 de setembro.

“Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia”, manifestou Lula, por meio de suas redes sociais.