O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu eleitores entre os jovens, os que ganham mais de cinco salários mínimos e os que se declaram de centro-direita. É o que mostra a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira. (28) A pesquisa é mais uma a mostrar declínio de Flávio após a divulgação do áudio no qual ele pede dinheiro a Daniel Vorcaro, do banco Master.
A Meio/Ideia, no entanto, detalha em que segmentos Flávio está perdendo apoio. E essa não é uma boa notícia para ele. Flávio teve uma queda de quase 15 pontos percentuais entre os eleitores de 16 a 24 anos, de 55.2% para 39.5%. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu um aumento de 18 pontos nesse segmento, de 30% para 48%.
O professor de Políticas Públicas do Ibmec Brasília, Eduardo Galvão, aponta que essa migração de votos da juventude para Lula se deve ao desgaste da imagem de Flávio e à comparação de horizonte de futuro. Após a divulgação de áudios trocados entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre um pagamento de R$134 milhões em financiamento para o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, criou-se uma percepção de contradição entre discursos de anticorrupção e a prática, disse Galvão.
Incoerência
Essa incoerência é fundamental ao analisar as intenções de votos da juventude, que é um grupo mais sensível questões ligadas à reputação. Em paralelo, ao escolher seus candidatos, os jovens se preocupam mais com a sua capacidade de impulsionar empregos, educação e estabilidade financeira nos próximos anos. Sendo assim, Galvão afirma que “o fato de Lula ter avaliação de governo e de economia em patamar competitivo reduz o risco percebido de apoiá-lo em 2026”.
Entre a população de maior renda, Flávio perdeu quase 20 pontos percentuais – caindo de 60.4% para 41.5%. Para o cientista político e professor na Universidade Federal do Piauí, Vitor Sandes, pesou nesse segmento também o peso reputacional.
Já entre os eleitores de centro-direita, a intenção de voto em Flávio Bolsonaro caiu de 96.3% para 78.3% – 18 pontos –, enquanto Lula teve um aumento de 15 pontos percentuais no mesmo grupo. “Esses eleitores costumam valorizar o ajuste macroeconômico, responsabilidade fiscal, previsibilidade institucional e menor conflito permanente entre Poderes. Diante de um quadro em que o bolsonarismo continua associado a tensão constante e a escândalos como o caso Banco Master, parte deles parece estar concluindo que o risco de manter esse padrão é maior do que o custo de apoiar Lula”, declarou Galvão.
Assim, eleitores dos três segmentos parecem estar mudando as suas intenções eleitorais por um motivo similar: a preferência pela estabilidade acima de uma aposta em radicalização.
Galvão disse ao Correio da Manhã que, para Lula, o desafio será “administrar uma vantagem que vem da fragmentação do outro lado, sem subestimar a possibilidade de recomposição da direita moderada”.
Flávio, por outro lado, corre o risco de virar um candidato que mobiliza somente uma parte da direita, perdendo eleitores mais ao centro e carregando uma reputação que afasta justamente os eleitores que “costumam fazer diferença no segundo turno”.
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