Política

Caiado e Zema endurecem discurso contra Flávio

Reembolso de passagens pagas pelo Senado para viagens no período em que Flávio Bolsonaro esteve com Daniel Vorcaro amplia desgaste político do senador

Caiado e Zema endurecem discurso contra Flávio
Flávio pediu reembolso da passagem no dia da visita a Vorcaro Crédito: Reprodução

O avanço das revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro começou a produzir efeitos diretos na disputa presidencial pela direita. Nesta quarta-feira (20), durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília, os pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) endureceram o discurso e passaram a marcar distância pública do senador e também pré-candidato bolsonarista, em meio ao desgaste provocado pelo caso Master.

O inferno astral de Flávio Bolsonaro começou depois da divulgação de áudio no qual ele pede a Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois disso, a cada dia vão surgindo novas revelações que ampliam a crise.

O último capítulo veio à tona com a informação de que Flávio pediu reembolso ao Senado para viagens feitas a São Paulo justamente no período em que esteve com o banqueiro. Os registros mostram que a passagem foi emitida em 25 de novembro de 2025 e custou R$ 2.919,29. O senador embarcou de Brasília para Congonhas no dia 1º de dezembro, às 12h30, retornando à capital federal no dia seguinte, às 7h15.

Foi nesse mesmo dia que Flávio, como ele mesmo confirmou, se encontrou com Vorcaro em sua casa, quando ele já cumpria medidas restritivas.

Escândalos

Nesta quarta-feira (20), durante a Marcha dos Prefeitos, Caiado foi quem adotou o tom mais duro. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, o governador de Goiás associou o escândalo do Banco Master ao ambiente político nacional e afirmou que o caso contaminou as instituições.
“Vorcaro contaminou todos os Poderes. Todos os Poderes estão envolvidos em escândalos”, afirmou.

Em seguida, elevou o tom ao defender que alguém atingido pelo caso não teria condições de disputar a Presidência da República. “A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República.” A fala foi interpretada nos bastidores políticos como um recado direto ao candidato do PL.

O movimento acontece justamente no momento em que Caiado tenta consolidar uma candidatura ao Planalto, apostando no discurso de gestor experiente e distante do núcleo mais atingido pelas investigações.

Pressão

Já Romeu Zema, que já tinha criticado Flávio, adotou uma linha menos explosiva, mas igualmente incisiva. Durante entrevista coletiva na Marcha dos Prefeitos, afirmou ter ficado “decepcionado” com as explicações dadas por Flávio Bolsonaro sobre a relação com Vorcaro.

“O Brasil precisa de um presidente que, para fazer as mudanças necessárias, tenha credibilidade”, declarou.

O ex-governador mineiro também reforçou que jamais teve qualquer relação com o banqueiro. “Eu nunca tive uma reunião com ele, nunca tive um encontro com ele, nem oficial, nem informal. Não tenho ele na minha agenda de telefone”, afirmou.

Em outro momento, afirmou que sua futura chapa não terá espaço para pessoas ligadas ao escândalo. “Nós não queremos nenhum vice que cause constrangimento, que tenha tido qualquer operação com um banqueiro bandido”, disse.

Zema ainda aproveitou o palco da Marcha para reforçar um discurso de oposição ao sistema político tradicional e atacar privilégios em Brasília. “O Brasil é roubado todos os dias pelos intocáveis que ficam aqui nessa cidade”, afirmou durante participação no evento da Confederação Nacional de Municípios.

Faria Lima

Enquanto as críticas aconteciam em Brasília, Flávio Bolsonaro passou o dia em São Paulo em uma agenda voltada ao mercado financeiro. Segundo interlocutores ouvidos pelo Correio da Manhã, o senador participou de encontros com investidores e representantes de bancos, reuniões que já estavam previstas antes da nova repercussão do caso.

Mesmo assim, o tema Vorcaro dominou parte das conversas. Segundo informações de pessoas próximas de Flávio, o senador afirmou que os contatos com o banqueiro “já foram explicados”, negou proximidade frequente e disse não temer novas revelações envolvendo o caso.

O senador também participou de um jantar com investidores ligados ao setor de turismo e hotelaria.

PL continua com Flavio

Diante do aumento da pressão política, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, divulgou nota pública em defesa de Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador deve crescer nas pesquisas nos próximos dias.

“A verdade é simples: o que veremos nos próximos dias será o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e o fortalecimento de sua imagem junto à população”, afirmou.

Na nota, Valdemar também acusou adversários de distorcerem declarações internas e negou que tenha tentado “testar a resistência” política do senador.

“Depois de tudo o que enfrentou ao longo dos últimos anos, sua força política e pessoal estão mais sólidas do que nunca”, declarou o dirigente partidário.