Correio da Manhã
Política

Grupo terá 30 dias para resolver tarifaço

Lula se encontra com Trump em reunião classificada como "positiva" pelos dois

Grupo terá 30 dias para resolver tarifaço
Tanto Trump como Lula classificaram a reunião como "positiva" Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), nesta quinta-feira (7), foi considerada bem-sucedida por ambos.

No encontro entre os dois chefes de Estado, que inicialmente seria realizada em março mas teve que ser adiada devido a guerra no Oriente Médio, eles discutiram temas predominantemente econômicos como o fim das tarifas aplicadas para produtos de ambos os países. Contudo, eles evitaram citar temas demasiadamente polêmicos, como o sistema de transferência monetária instantâneo brasileiro, o Pix, ou associar organizações criminosas como terrorismo.

“Uma das razões pelas quais eu trouxe [o ministro da Fazenda] Dario Durigan era porque eu imaginava que o Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei”, disse Lula em entrevista coletiva logo após a reunião.

Três horas

A reunião, que inicialmente estava prevista para durar 30 minutos, durou três horas. Ao contrário da maioria das reuniões entre Trump e demais chefes de Estado, eles não concederam entrevista coletiva na Casa Branca depois. Ao final do encontro, Trump foi embora e Lula conversou com a imprensa na Embaixada do Brasil em Whashington D.C.

Na coletiva, ele destacou que o encontrou foi produtivo para reestabelecer as relações comerciais e democráticas entre os países, mas reforçou o discurso da soberania brasileira. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, manifestou Lula.

Por meio de suas redes sociais, o presidente Donald Trump manifestou como positiva a reunião com o brasileiro. “Concluí minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos assuntos incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes estão escalados para se reunirem para discutir certos elementos chaves. Novas reuniões serão agendadas nos próximos meses, se necessário”, escreveu Trump.

Tarifas

Na coletiva, o presidente brasileiro informou que firmou com Trump um acordo para criar um Grupo de Trabalho entre os dois países para discutir e tentar encerrar as tarifas norte americanas aplicadas a produtos brasileiros, que ficaram conhecidas como tarifaço. Atualmente, a maioria dos itens exportados pelo Brasil aos Estados Unidos são taxadas em 10%. Já alumínio, aço, autopeças e cobre têm tarifas de 15%. O grupo será formado por representantes e autoridades de ambos os países, que terão 30 dias para resolver as pendências acerca das tarifas entre os países. Como Lula e Trump não conversaram diretamente sobre o Pix, o brasileiro avaliou que o tópico entrará na discussão do grupo de trabalho.

Ele se manifestou otimista de que não serão aplicadas novas tarifas ao Brasil e que ambos os países chegarão a um consenso favorável entre as duas nações.

“O ideal é que os Estado Unidos voltem a ser um parceiro dinâmico, crescente, que as exportações e importações voltem a subir e não cair, como aconteceu no ano passado”, reiterou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Márcio Elias Rosa.

PCC e PV

Questionado pela imprensa, o brasileiro disse que os presidentes não discutiram sobre a possibilidade de os Estados Unidos enquadrarem facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o PCC, como organizações terroristas.

No caso de terras raras, o presidente reiterou que o Brasil está aberto para negociações comerciais no setor de minerais críticos com outros países, inclusive Estados Unidos, desde que respeitem a soberania das terras raras. “Queremos compartilhar nosso potencial com quem queira fazer investimentos no Brasil. Não temos preferência. Queremos compartilhar com empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas. Quem quiser participar conosco, para ajudar a fazer a separação e produzir riquezas, estão convidados ao Brasil”, destacou Lula. “A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa soberania e da nossa democracia, o resto é tudo negociável”, reiterou Lula durante coletiva.