Correio da Manhã
Petropolitano

Prefeitura já sabia dos riscos, diz MPRJ ao cobrar volta das câmeras

Órgão cobra retomada do serviço de fiscalização em um prazo de 60 dias

Prefeitura já sabia dos riscos, diz MPRJ ao cobrar volta das câmeras
Documento pede restabelecimento do sistema de videomonitoramento em até 60 dias Crédito: Gabriel Rattes/CM

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) voltou a cobrar providências da Prefeitura de Petrópolis para restabelecer o sistema de videomonitoramento da cidade. Em nova petição apresentada à Justiça, o órgão afirma que os documentos enviados pelo município demonstram omissão administrativa e indicam que a Prefeitura já sabia, desde o ano passado, que o sistema de câmeras estava defasado e próximo do colapso, mas não planejou a substituição do contrato.

Na manifestação, o MPRJ contesta a versão de que a interrupção do serviço ocorreu por causa da retirada repentina dos equipamentos pela empresa anterior. O órgão pede que a Justiça determine uma série de prazos para a Prefeitura, incluindo a conclusão da contratação do novo sistema e o restabelecimento das câmeras em até 60 dias.

Procurada pelo Correio Petropolitano, a Prefeitura de Petrópolis informou que "os procedimentos para realizar uma licitação para o serviço já estão em andamento". O município acrescentou que "todas as providências estão sendo agilizadas para a retomada do serviço de monitoramento o mais rápido possível".

A petição

No documento, o MPRJ afirma que os processos administrativos encaminhados pela Prefeitura comprovam "desídia administrativa" na condução do serviço. Segundo o órgão, a administração já tinha conhecimento, desde novembro de 2025, de que o sistema de cerca de 90 câmeras estava defasado e operava no limite da capacidade. Apesar disso, sustenta que não houve planejamento para a transição contratual, o que resultou na interrupção completa do monitoramento.

A petição também afirma que a paralisação não decorreu de uma retirada inesperada dos equipamentos pela antiga empresa, como alegado pelo município. Para o Ministério Público, os próprios documentos oficiais demonstram que a Prefeitura conhecia previamente os riscos e, ainda assim, não adotou medidas para evitar o apagão do sistema. O órgão destaca ainda que o processo para contratação definitiva, iniciado em dezembro de 2025, ainda não chegou à fase de licitação.

Pedidos

O MPRJ requer que a Justiça conceda tutela de urgência e estabeleça prazos para a conclusão do Termo de Referência, da fase preparatória da licitação, da publicação do edital e para o restabelecimento do sistema de videomonitoramento em até 60 dias. Também pede que a Prefeitura apresente relatórios a cada dez dias sobre o andamento das medidas, sob pena de multa e outras sanções.

Na mesma manifestação, o Ministério Público defende que apenas informações estratégicas, como a localização das câmeras, permaneçam sob sigilo. Já documentos relativos ao andamento dos processos, cronogramas e demais atos administrativos, segundo o órgão, devem continuar públicos para garantir a transparência e a fiscalização pela sociedade e pela imprensa.