Petropolitano

Projeto busca orientar municípios na prevenção de desastres

Iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério das Cidades tem Petrópolis entre os seis municípios-piloto

Projeto busca orientar municípios na prevenção de desastres
Iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério das Cidades prevê a criação de um manual para o planejamento urbano Crédito: Gabriel Toledo/CM

Petrópolis está entre os seis municípios brasileiros escolhidos para testar uma metodologia de planejamento urbano voltada à redução de riscos de desastres geo-hidrológicos. Desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério das Cidades, o Projeto de Desenvolvimento Urbano Integrado prevê a elaboração de um manual com orientações para a gestão de áreas que apresentam histórico ou potencial de desastres ambientais. A iniciativa foi um dos principais temas do seminário que abriu, nesta terça-feira (3), as comemorações pelos 15 anos de atuação do Fórum Itaboraí na cidade.

O encontro, realizado no Palácio Itaboraí, reuniu representantes da Fiocruz, do Ministério das Cidades e da Prefeitura de Petrópolis para discutir a relação entre desenvolvimento urbano, mudanças climáticas e saúde. A proposta do projeto é aproximar as diretrizes nacionais da realidade dos municípios, considerando as características de cada território, os riscos existentes e a capacidade das administrações locais.

Trabalho com base na escuta

O diretor do Fórum Itaboraí, Felix Rosenberg, destacou que a escuta das comunidades em situação de vulnerabilidade é um dos princípios que orientam o trabalho da instituição. "Nós temos trabalhado em cima de dois princípios desde o início. Fundamentalmente escutando as comunidades que vivem nos territórios mais vulnerabilizados de Petrópolis, ouvindo seus desafios e potencialidades", afirmou.

A representante do Ministério das Cidades, Taís Pontes, explicou que a parceria com a Fiocruz busca desenvolver uma metodologia prática e acessível a diferentes municípios brasileiros. "Essa parceria com a Fiocruz, que começou há dois anos, é na tentativa de elaborar uma metodologia prática para os municípios, que seja útil, fácil de aplicar, já que no Brasil a gente tem uma diversidade de municípios, com diferentes tamanhos e capacidades institucionais. Então, a ideia desse manual é entender como fazer esse diagnóstico de risco através da documentação e estudos técnicos em cada cidade", explicou.

Para o coordenador da Fiocruz, Luis Madeira, as decisões relacionadas ao desenvolvimento das cidades têm consequências diretas sobre a vida dos moradores. "Quando você toma determinadas decisões sobre a cidade, você acaba criando ônus e bônus para a população. Então, você divide impactos que nem sempre são positivos e muitas vezes são negativos sobre a população", avaliou.

Desafios atuais

A arquiteta da Prefeitura de Petrópolis, Layla Talin, destacou que um dos principais desafios é integrar a comunidade e diferentes setores na produção de informações que orientem as decisões do poder público. "O principal desafio é pensar de forma integrada com a comunidade, diversos setores, para que as informações sejam base para a tomada de decisão para a prevenção de desastres e traçar as ações de resposta para os possíveis impactos dos desastres socioambientais", afirmou.

Em uma cidade marcada por tragédias provocadas por chuvas intensas, como as de 2011 e 2022, a discussão sobre planejamento urbano e prevenção ganha ainda mais relevância. Segundo Luis Madeira, o projeto também busca garantir a participação popular na identificação dos problemas e na construção de soluções. "Ele insere um processo de participação popular na reflexão sobre problemas e soluções e entende a importância de identificar quais são os determinantes sociais da saúde, para que a gente possa endereçar uma solução para esses determinantes", explicou.

Programação dos 15 anos

As comemorações pelos 15 anos do Fórum Itaboraí seguiu até sexta-feira (6), com uma programação aberta ao público. Estão previstos debates, oficinas, rodas de conversa, apresentações culturais e atividades educativas. Entre os temas abordados estão segurança alimentar, plantas medicinais, direito à cidade e desigualdades sociais.

Felix Rosenberg convidou a população a participar das atividades e conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição. "Convido a todos a vir, participar, discutir abertamente conosco, conhecer o que fazemos e, inclusive, nos ensinar, nos mostrar o melhor caminho para trabalhar na transformação territorial", afirmou.