Petropolitano

Justiça suspende obrigação de cobrador nas linhas de ônibus

Com isso, Executivo não poderá aplicar multas ou sanções às empresas

Justiça suspende obrigação de cobrador nas linhas de ônibus
Setranspetro argumentou que a legislação foi criada sem regulamentação Crédito: Ana Laura Wilbert/CM

A Justiça suspendeu a exigibilidade da lei municipal que obriga a presença de cobradores ou auxiliares de viagem em quatro linhas com maior fluxo do transporte público do município de Petrópolis. Na decisão proferida no início de outubro, o juiz Jorge Luiz Martins Alves, da 4ª Vara Cível, entendeu que a situação do transporte já enfrenta uma crise, com ônibus parando de rodar e falhas constantes no serviço, destacando que exigir, de uma hora para outra, que as empresas contratem cobradores tende a precarizar ainda mais os serviços.

A determinação veio após uma ação apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de Petrópolis (Setranspetro). Com ela, as empresas associadas ao sindicato ficam temporariamente desobrigadas de cumprir a exigência prevista nos artigos 1º a 3º da Lei Municipal nº 9.310/2026. O município e a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) também estão impedidos de aplicar multas ou outras sanções.

A Setranspetro alegou que a Lei Municipal nº 9.310/26 padece de inconstitucionalidade diante do vício de iniciativa. A suspensão abrange as linhas 100, que liga o Centro à Rodoviária do Bingen; 300 e 600, entre Corrêas e o Centro; e 700, que conecta Itaipava ao Centro.

Além disso, na ação, a Setranspetro argumentou que a legislação foi criada sem regulamentação do Poder Executivo e sem previsão de compensação pelos custos adicionais. Segundo o sindicato, a contratação de mais de 100 profissionais representaria um aumento estimado de R$ 503,9 mil por mês nas despesas operacionais do sistema de transporte público.

No cenário atual do transporte, o Correio conversou com passageiros e colaboradores que não foram identificados para entender o impacto da dupla função.

Dois colaboradores de linhas troncais da cidade afirmaram que é muito difícil exercer essas duas funções, principalmente em horários de pico. "Em certos horários é muito difícil conciliar as duas coisas, ou presto atenção nos passageiros, na direção e em quem vai descer. Ainda tem o risco de acidente, né, porque muitas vezes o passageiro entra e, até contar o troco, não podemos ficar parados no ponto, ainda mais com o trânsito fluindo", contou.

O outro também ressaltou essa questão, mas abriu para um cenário da transição dos passageiros. "Às vezes se concentram muitos passageiros na parte da frente, porque, enquanto dou o troco, tenho que liberar a roleta para idosos ou estudantes, então fica bem caótico. Nesse rolo, muitas pessoas acabam se irritando, perguntando se estou cego ou não por não ver, pois não têm a empatia de entender a situação, é difícil", ressaltou.

A passageira Heloisa Helena da Costa utiliza o 700 todos os dias para chegar ao trabalho e conta que é complicado. "Além de andar cheio, às vezes o trajeto fica mais lento porque o motorista ainda tem que parar para dar o troco, liberar. E nem é só isso, acredito que, com o cobrador ali, ver quem está saindo e entrando do ônibus, conferir o fluxo, né, fica mais fácil", expressou.