Petropolitano

Dança leva jovem de Petrópolis à Rússia

Natasha Funger é selecionada para o International Festival of Youth 2026 e precisa arrecadar até R$ 15 mil para arcar com custo da viagem

Dança leva jovem de Petrópolis à Rússia
A campanha de arrecadação está disponível pelo perfil dela no Instagram, @natasha.funger Crédito: Arquivo Pessoal

Uma dançarina de Petrópolis foi selecionada para participar do International Festival of Youth 2026 (Festival Internacional da Juventude), que será realizado entre os dias 11 e 17 de setembro, em Ecaterimburgo, na Rússia. Natasha Funger, nascida e criada na cidade, terá a oportunidade de participar de um evento internacional que reunirá 10 mil jovens de 191 países. Para conseguir embarcar, no entanto, ela precisa arrecadar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para custear o transporte até o país.

A confirmação da seleção chegou por e-mail na quinta-feira, dia 27 de agosto, e emocionou a petropolitana, que nasceu e foi criada na cidade. Para Natasha, a oportunidade representa muito mais do que uma viagem ao exterior. Ela afirma que nunca imaginou sair do Brasil por causa da realidade financeira em que cresceu e vê a participação no evento como resultado do caminho construído por meio da dança e da cultura.

"Eu sou filha de mãe analfabeta e, através da dança e do hip hop, fui buscando e criando novas oportunidades", conta Natasha. Segundo ela, poder se tornar uma referência para jovens da comunidade e para pessoas próximas também faz parte do significado da conquista.

Como foi a seleção

Para participar do processo seletivo, Natasha precisou preencher formulários, apresentar a trajetória profissional, os trabalhos realizados e as propostas para o evento. Uma das etapas também exigia um vídeo, com no mínimo um minuto e 30 segundos, produzido em inglês.

A dançarina conta que precisou se dedicar especialmente à gravação porque ainda não possui fluência completa no idioma. Mesmo assim, acabou sendo selecionada, resultado que, segundo ela, aumentou a confiança para acreditar que conseguirá chegar à Rússia.

A seleção foi encerrada em abril, e cerca de 80 jovens foram aprovados até o momento no Brasil. Natasha afirma que novas pessoas ainda podem ser selecionadas e que os participantes brasileiros integram uma delegação do evento.

Trabalho nas comunidades

Além de atuar como dançarina e professora de ritmos, Natasha trabalha com jovens de comunidades de Petrópolis por meio do Movimento Popular da Juventude (MPJ), organização que atua nas áreas cultural, estudantil e comunitária.

As atividades são realizadas nos bairros Vale dos Esquilos, Duques, Chapa 4 e em uma localidade atendida pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Para a petropolitana, o trabalho dentro das comunidades está diretamente ligado ao motivo pelo qual deseja participar do festival. Ela espera conhecer jovens de outros países, trocar experiências e participar de debates sobre ações que possam melhorar a realidade das comunidades.

Natasha avalia que ainda faltam incentivos, oportunidades e estímulo para a juventude em Petrópolis. Por isso, pretende aproveitar a experiência internacional para trazer novas ideias e tentar colocá-las em prática na cidade.

"Eu acredito muito na mudança do um a um. Estar dentro das comunidades, para mim, significa isso. Eu não posso mudar todos, mas, se eu mudar uma pessoa e essa pessoa mudar outra, teremos uma sociedade melhor para se viver", afirma.

Corrida contra o tempo

A organização do festival garante hospedagem e alimentação durante a participação no evento. O principal desafio de Natasha, neste momento, é conseguir dinheiro para custear o transporte até a Rússia. Segundo ela, por causa da proximidade da viagem, os valores das passagens e demais deslocamentos estão na faixa de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

Para tentar alcançar o valor, a dançarina criou uma vaquinha online e organizou duas rifas, com bilhetes de R$ 5 e R$ 10. Os prêmios foram doados por pessoas próximas a Natasha.

A campanha de arrecadação está disponível pelo perfil dela no Instagram, @natasha.funger, onde também está publicado o link da vaquinha.

De Petrópolis pro mundo

A iniciativa tem como objetivo viabilizar a viagem e permitir que a petropolitana participe do festival representando a trajetória e o trabalho desenvolvido com jovens em Petrópolis.

Para Natasha, estar na Rússia também significa abrir uma porta para novas experiências e possibilidades. "Espero me conectar com muitas pessoas e outros países, conhecer outras realidades e participar de debates para melhorias e sobre como praticar essas melhorias nas comunidades", diz.

A viagem, portanto, representa não apenas uma conquista pessoal, mas também a possibilidade de levar para fora da cidade uma experiência construída dentro das comunidades de Petrópolis por meio da dança, da cultura e do trabalho com a juventude.