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Prefeitura visa estender contratos com empresas de ônibus

Medida contraria decisões do Tribunal de Contas do Estado do Rio

Prefeitura visa estender contratos com empresas de ônibus
Município pediu perícia para calcular suposto desequilíbrio da Cidade das Hortênsias Crédito: Gabriel Rattes/CM

Mesmo com determinação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) para que o contrato da Transporte São Luiz, conhecida como Cidade das Hortênsias (CDH), não fosse renovado, a Prefeitura de Petrópolis defendeu nesta terça-feira (25) a possibilidade de estender o prazo de operação da empresa.

A posição foi apresentada durante audiência na 4ª Vara Cível, em uma ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) também defendeu que as linhas que pertenciam à falida Cascatinha sejam incluídas em um eventual acordo, apesar de o TCE-RJ já ter determinado que esses trechos sejam licitados.

A proposta do Município depende, primeiro, de uma perícia para calcular um possível desequilíbrio econômico-financeiro no contrato da CDH. Segundo o procurador-geral do Município, Fernando Fernandes, após a definição do valor, Prefeitura e empresa poderiam retomar as negociações para um eventual acordo, que poderia resultar na extensão do contrato.

O diretor-presidente da CPTrans, Luciano Moreira, afirmou que a companhia considera necessária e benéfica a extensão do prazo de operação da CDH. Segundo ele, a medida permitiria que os contratos das empresas que atualmente prestam o serviço terminassem ao mesmo tempo, em 2032. A justificativa é que a unificação dos prazos poderia reduzir custos para o município, facilitar o planejamento do sistema e permitir novos investimentos.

Outro ponto discutido foi a inclusão, em um eventual acordo, das linhas que pertenciam à Cascatinha Transportes Coletivos de Passageiros. Os trechos foram absorvidos pela Cidade das Hortênsias após a paralisação da empresa, em 2024. Segundo Luciano, uma licitação específica para essas linhas poderia impedir os ganhos esperados pelo Município com a unificação dos contratos.

A possibilidade, porém, entra em conflito com uma decisão do TCE-RJ. Em 2021, o Tribunal determinou que a Prefeitura de Petrópolis desse início ao procedimento licitatório para a concessão das linhas que eram operadas pela Cascatinha.

A promotora de Justiça Vanessa Katz, responsável pela ação civil pública, afirmou durante a audiência que é contrária à prorrogação de um contrato que já venceu. Na ação, apresentada em novembro de 2025, o MPRJ sustenta que o contrato já passou por duas prorrogações: uma decorrente de acordo judicial e outra realizada em 2015, sob a justificativa de reequilíbrio econômico-financeiro. Para o Ministério Público, o contrato terminou em agosto de 2025 e não poderia receber uma nova extensão.

A Cidade das Hortênsias, por sua vez, defendeu a permanência no sistema. O advogado da empresa afirmou que a operadora assumiu linhas deixadas por empresas que faliram e continuou realizando investimentos mesmo após o fim do contrato.

Segundo a defesa, a empresa adquiriu 11 ônibus novos em 2025 e 2026.