Petropolitano

Petrópolis lidera ranking de menor taxa de mortes violentas

Colocação é referente às mortes violentas internacionais no estado do Rio

Petrópolis lidera ranking de menor taxa de mortes violentas
Na Região Serrana, apenas Teresópolis e Nova Friburgo registraram mortes decorrentes de intervenção policial em 2025 Crédito: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Petrópolis registrou, em 2025, a menor taxa de mortes violentas intencionais entre os municípios do Estado do Rio de Janeiro com mais de 100 mil habitantes. O dado consta no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado com base em informações oficiais das secretarias estaduais de Segurança Pública e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento considera a taxa por 100 mil habitantes e reúne os registros de homicídio doloso, latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Em 2025, Petrópolis também foi apontada como a cidade mais segura do estado no Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil. Em todo o ano, a cidade registrou apenas um caso de latrocínio e um de lesão corporal seguida de morte, fatores que contribuíram para que o município alcançasse a menor taxa de mortes violentas intencionais do estado.

Apesar do resultado positivo, os indicadores mais recentes mostram que a violência letal voltou a crescer no município. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que, entre janeiro e junho de 2026, Petrópolis registrou 10 homicídios dolosos, dois casos a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Entenda os indicadores

Segundo a advogada Priscila Braga, os crimes que compõem o índice possuem características diferentes e ajudam a medir o nível de violência letal de cada município. Ela explica que o homicídio doloso ocorre quando o autor tem a intenção de matar. Já no latrocínio, o objetivo inicial é o roubo, mas a vítima acaba morrendo durante a ação criminosa.

A lesão corporal seguida de morte, por sua vez, acontece quando a intenção é agredir, sem o propósito inicial de matar, mas a violência empregada acaba provocando a morte da vítima. Já o feminicídio é caracterizado quando uma mulher é assassinada em razão da condição do sexo feminino, sendo considerado uma das formas mais graves de violência de gênero.

Embora os indicadores permaneçam entre os melhores do estado, crimes de maior repercussão costumam gerar preocupação entre os moradores. Em entrevista recente à TV Correio da Manhã, o delegado titular da 105ª Delegacia de Polícia, Nei Loureiro, afirmou que esse fenômeno é natural em municípios com baixos índices de criminalidade.

"Como a cidade é calma, qualquer evento que saia da normalidade realmente traz uma sensação de insegurança. Mas nós continuamos dentro das metas e com índices baixos. Isso não pode sair do nosso radar", afirmou.

Segundo o delegado, a percepção da população nem sempre acompanha os indicadores oficiais. Ele compara Petrópolis a municípios da Região Metropolitana, onde a quantidade de roubos de veículos, por exemplo, chega a centenas de casos por mês, enquanto em Petrópolis esse tipo de crime costuma registrar apenas uma ocorrência mensal.

Nei Loureiro explica que, para evitar o crescimento da criminalidade, a Polícia Civil atua de forma integrada com a Polícia Militar, realizando reuniões periódicas para mapear as regiões com maior incidência de crimes e direcionar ações preventivas. Quando necessário, a Polícia Civil desenvolve investigações para solicitar à Justiça medidas como mandados de busca e prisão.

Um dos casos que mais chamou a atenção da população neste ano foi o assassinato da fisioterapeuta Priscila de Andrade Nunes Haubrich, de 41 anos. De acordo com a Polícia Civil, ela foi vítima de feminicídio na Estrada do Bonfim, em Petrópolis. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima.

A advogada Priscila Braga destaca que o feminicídio é uma das formas mais graves de violência contra a mulher e possui pena mais severa prevista na legislação brasileira. "No feminicídio, que é o crime cometido contra mulheres, a pena varia de 20 a 40 anos. É a pena maior que temos no Brasil", afirmou.

Embora apresente baixos índices de mortes violentas intencionais, Petrópolis registrou crescimento nos casos de violência física e sexual contra mulheres nos últimos anos.

Dados do ISP mostram que os registros de violência física e sexual contra mulheres cresceram cerca de 26% em Petrópolis entre 2020 e 2025. Em 2020 foram contabilizados 861 casos. O número caiu para 780 em 2021, mas voltou a subir nos anos seguintes: 891 ocorrências em 2022, 941 em 2023, 999 em 2024 e 1.086 em 2025, o maior número da série histórica.