Durante três dias, um grande espaço montado na cidade de Alton, no sul da Inglaterra, transformou-se em uma verdadeira cidade temporária para receber os participantes da Jalsa Salana UK, a reunião anual da Comunidade Muçulmana Ahmadiyya. Representantes de dezenas de nacionalidades compartilham um mesmo ambiente, unidos por um propósito comum: fortalecer a fé e promover a paz. A equipe do Correio Petropolitano esteve presente na cobertura do evento.
Grande parte dessa operação é conduzida por voluntários. Homens e mulheres dedicam dias e até semanas de trabalho para garantir o funcionamento de todos os setores do evento. Da preparação das refeições à limpeza, do estacionamento ao apoio logístico, praticamente toda a estrutura depende do serviço voluntário, considerado um dos pilares da comunidade.
Programação
Mais do que cerimônias religiosas, a programação também reúne palestras e debates sobre educação, juventude, família, direitos humanos, liberdade religiosa, convivência entre diferentes povos e promoção da paz. Acadêmicos, jornalistas, representantes de diversas religiões e convidados internacionais participam da reunião.
Entre eles esteve o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ativista pelos direitos humanos e pela liberdade religiosa, Ivanir dos Santos. Segundo ele, um dos aspectos mais marcantes da Jalsa Salana é justamente a valorização da diversidade dentro da própria comunidade islâmica.
O pesquisador destacou que participantes vindos de diferentes países preservam suas identidades culturais e étnicas sem abrir mão da convivência harmoniosa. Como exemplo, citou o encontro com integrantes da comunidade yorubá presentes na convenção, que mantêm vivas suas tradições culturais.
Para Ivanir, essa experiência contribui para desconstruir estereótipos frequentemente associados ao islamismo e demonstra que a religião pode ser um espaço de diálogo, respeito às diferenças e promoção da paz.
"O que se vê aqui é um ambiente onde pessoas de diferentes partes do mundo convivem com respeito, preservando suas tradições e dialogando umas com as outras. Essa é uma mensagem importante para um mundo marcado por conflitos e intolerância", observou o professor.
Representando o Brasil, além do professor, também estiveram presentes no evento Wasim Ahmad Zafar, presidente da comunidade Ahmadiyya no país, a jornalista do Diário de Petrópolis, Flávia Carneiro Dias e o repórter Erick Portella, representante do grupo Correio da Manhã.
Mais do que uma reunião religiosa, a Jalsa Salana tornou-se um símbolo de convivência entre povos de diferentes nacionalidades, culturas e idiomas. Em um cenário marcado por guerras, o encontro procura reafirmar uma proposta que ultrapassa fronteiras: promover o diálogo, fortalecer o respeito mútuo e incentivar a construção da paz entre os povos.
Necessidade de avanços
De acordo com os dados do Ministerio da Cidadania e dos Direitos Humanos, entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, o Disque 100 registrou 2,7 mil denúncias ligadas à intolerância religiosa. Umbanda, candomblé e outras religiões afro-brasileiras estão entre as principais vítimas.
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