Correio da Manhã
Petropolitano

Centro de referência fortalece restauração da Mata Atlântica no Rio

Iniciativa também fortalece Petrópolis, que abriga uma das maiores áreas protegidas do bioma no Estado

Centro de referência fortalece
restauração da Mata Atlântica no Rio
Público visitou a Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, também inaugurada junto à programação de lançamento do CERRE, em Silva Jardim - RJ Crédito: Luiz Thiago de Jesus/AMLD

A Mata Atlântica do Rio de Janeiro ganhou um importante reforço para a conservação ambiental com a inauguração do Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), em Silva Jardim. O espaço foi inaugurado na última sexta-feira (17) pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e passa a funcionar como um laboratório a céu aberto para pesquisas, capacitação e desenvolvimento de técnicas voltadas à recuperação de áreas degradadas do bioma.

A iniciativa tem relevância também para Petrópolis, que abriga uma das principais áreas protegidas de Mata Atlântica do estado. O município integra a Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Serrana de Petrópolis, unidade de conservação federal criada em 1982, com 68.224,29 hectares de extensão. A APA protege remanescentes do bioma, nascentes, fauna e flora nativas, além de contribuir para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade da Serra do Mar.

Sobre o CERRE

Instalado na Fazenda Perdida, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Parque do Mico II), o CERRE terá 130 hectares destinados à restauração florestal por meio dos projetos Floresta Viva e GEF Áreas Privadas. O local permitirá que pesquisadores, estudantes, proprietários rurais e técnicos acompanhem todas as etapas da recuperação ambiental, servindo também como espaço de formação profissional.

Segundo Jerônimo Sansevero, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e coordenador do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Rede), o centro representa um marco para a ciência brasileira ao reunir décadas de estudos em botânica, ecologia e geologia, permitindo o desenvolvimento de pesquisas de longo prazo sobre restauração ecológica.

"O CERRE é um marco, e é importante deixar isso bem claro. É um centro de referência que reúne um histórico de pesquisa muito antigo - de 30 e 40 anos. Ele é um marco pois vai permitir que a gente faça estudos agora para olhar a longo prazo, em vários temas. E é referência construída, ela não foi dada, graças a esse histórico de várias universidades que fazem estudos aqui. Isso permitiu com que hoje nasça esse Centro, que como o nome diz, é uma referência, uma luz que vai iluminar novos estudos sobre o tema", disse.

Serviços ofertados

Além das pesquisas, o CERRE oferecerá cursos, oficinas, workshops e simpósios voltados à restauração da Mata Atlântica, monitoramento da biodiversidade e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs). A proposta é difundir práticas sustentáveis entre produtores rurais, mostrando que a recuperação ambiental pode ser conciliada com geração de renda e fortalecimento da economia local.

"O objetivo é disseminar experiências e ser um amplificador, com a ajuda de proprietários rurais, de práticas eficientes de restauração num laboratório a céu aberto. O Centro vai mostrar que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região", disse Carlos Alvarenga, engenheiro florestal da AMLD que coordena as atividades do CERRE.

Pecuária Sustentável

Durante a inauguração também foi lançada uma Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, onde serão apresentadas técnicas para aumentar a produtividade sem necessidade de novos desmatamentos. O projeto busca demonstrar que é possível ampliar a produção rural por meio do manejo adequado das pastagens e da conservação dos recursos naturais.

O Centro de Referência em Restauração Ecológica conta com recursos do Projeto Floresta Viva — parceria entre SEAS, BNDES, Funbio e Aegea — e do Projeto GEF Áreas Privadas, além do apoio de instituições nacionais e internacionais ligadas à conservação da biodiversidade.

"É um prazer muito grande dar esse pontapé inicial aqui no projeto de restauração, uma vez que a gente está conseguindo interiorizar o recurso da restauração florestal. E aqui é uma área extremamente estratégica. Estamos falando de uma área de proteção do mico-leão-dourado, e esperamos que a restauração com o dinheiro da parceria entre o BNDES, SEAS, Funbio e Aegea possa ser capaz de melhorar a qualidade ambiental da região, e que esse seja o primeiro de muitos passos para ampliar a situação de proteção da região", finalizou Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica.