A Mata Atlântica do Rio de Janeiro ganhou um importante reforço para a conservação ambiental com a inauguração do Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), em Silva Jardim. O espaço foi inaugurado na última sexta-feira (17) pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e passa a funcionar como um laboratório a céu aberto para pesquisas, capacitação e desenvolvimento de técnicas voltadas à recuperação de áreas degradadas do bioma.
A iniciativa tem relevância também para Petrópolis, que abriga uma das principais áreas protegidas de Mata Atlântica do estado. O município integra a Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Serrana de Petrópolis, unidade de conservação federal criada em 1982, com 68.224,29 hectares de extensão. A APA protege remanescentes do bioma, nascentes, fauna e flora nativas, além de contribuir para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade da Serra do Mar.
Sobre o CERRE
Instalado na Fazenda Perdida, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Parque do Mico II), o CERRE terá 130 hectares destinados à restauração florestal por meio dos projetos Floresta Viva e GEF Áreas Privadas. O local permitirá que pesquisadores, estudantes, proprietários rurais e técnicos acompanhem todas as etapas da recuperação ambiental, servindo também como espaço de formação profissional.
Segundo Jerônimo Sansevero, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e coordenador do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Rede), o centro representa um marco para a ciência brasileira ao reunir décadas de estudos em botânica, ecologia e geologia, permitindo o desenvolvimento de pesquisas de longo prazo sobre restauração ecológica.
"O CERRE é um marco, e é importante deixar isso bem claro. É um centro de referência que reúne um histórico de pesquisa muito antigo - de 30 e 40 anos. Ele é um marco pois vai permitir que a gente faça estudos agora para olhar a longo prazo, em vários temas. E é referência construída, ela não foi dada, graças a esse histórico de várias universidades que fazem estudos aqui. Isso permitiu com que hoje nasça esse Centro, que como o nome diz, é uma referência, uma luz que vai iluminar novos estudos sobre o tema", disse.
Serviços ofertados
Além das pesquisas, o CERRE oferecerá cursos, oficinas, workshops e simpósios voltados à restauração da Mata Atlântica, monitoramento da biodiversidade e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs). A proposta é difundir práticas sustentáveis entre produtores rurais, mostrando que a recuperação ambiental pode ser conciliada com geração de renda e fortalecimento da economia local.
"O objetivo é disseminar experiências e ser um amplificador, com a ajuda de proprietários rurais, de práticas eficientes de restauração num laboratório a céu aberto. O Centro vai mostrar que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região", disse Carlos Alvarenga, engenheiro florestal da AMLD que coordena as atividades do CERRE.
Pecuária Sustentável
Durante a inauguração também foi lançada uma Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, onde serão apresentadas técnicas para aumentar a produtividade sem necessidade de novos desmatamentos. O projeto busca demonstrar que é possível ampliar a produção rural por meio do manejo adequado das pastagens e da conservação dos recursos naturais.
O Centro de Referência em Restauração Ecológica conta com recursos do Projeto Floresta Viva — parceria entre SEAS, BNDES, Funbio e Aegea — e do Projeto GEF Áreas Privadas, além do apoio de instituições nacionais e internacionais ligadas à conservação da biodiversidade.
"É um prazer muito grande dar esse pontapé inicial aqui no projeto de restauração, uma vez que a gente está conseguindo interiorizar o recurso da restauração florestal. E aqui é uma área extremamente estratégica. Estamos falando de uma área de proteção do mico-leão-dourado, e esperamos que a restauração com o dinheiro da parceria entre o BNDES, SEAS, Funbio e Aegea possa ser capaz de melhorar a qualidade ambiental da região, e que esse seja o primeiro de muitos passos para ampliar a situação de proteção da região", finalizou Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica.
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