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Câmara de Trajano rejeita contas de 2023 do ex‑prefeito

TCE deu parecer contrário por irregularidades em repasses

Câmara de Trajano rejeita contas de 2023 do ex‑prefeito
Cidade registra saldo de 2,7 mil empregos em fevereiro Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As contas da Prefeitura de Trajano de Moraes referentes ao exercício de 2023, geridas pelo ex-prefeito Ricardo Viana, foram reprovadas pela Câmara Municipal. A votação aconteceu após o parecer da Comissão de Finanças da Casa que pedia a aprovação, porém eram necessários seis votos, o que não foi alcançado na plenária na última sexta-feira (5).

Antes do processo chegar à Câmara, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) deu parecer prévio contrário às contas. A deliberação do conselheiro José Maurício De Lima apontou irregularidades e improbidades nas responsabilidades financeiras do município.

Foi constatado pela Corte que a gestão passada não realizou integralmente o pagamento dos valores decorrentes de Acordos de Parcelamentos ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Segundo o parecer do TCE, o município apresentou no exercício de 2023 um superávit de R$1.057.780,88, excluindo os recursos da Câmara e do RPPS, não alcançando, conforme apresentado, o equilíbrio financeiro recomendado.

A Corte determinou que a atual gestão deve realizar o pagamento dos valores dos acordos relativos às contribuições previdenciárias que deveriam ter sido pagas em exercícios anteriores. Mas tal feito deve preservar o equilíbrio financeiro.

Outras improbidades constatadas foram que o ex-prefeito desrespeitou o limite de gastos com o pessoal; as disponibilidades de recursos da educação e da saúde foram insuficientes; ausência de equilíbrio financeiro do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores públicos e falta de regulamentação por não possuir o certificado de Regularidade Previdenciária (CRP).

Votação

Em relação às contas, os nove vereadores da Casa Legislativa tiveram opiniões divergentes. Os parlamentares Gabriel Furtado (PL) que foi o relator do processo na comissão, Mônica Tannos (PL), Guilherme Lage (PP) e Carlos André (PP) votaram a favor da reprovação das contas, ressaltando que respeitam o parecer do TCE. Carlos André enfatizou que é dever do legislativo fiscalizar o Executivo. "Trajano precisa avançar, devemos ter uma política baseada na transparência e na responsabilidade fiscal", disse em plenária.

Os vereadores que votaram a favor das contas foram: Daniel Fagundes (SD); Isaias Nogueira (UB); Isis Bechara (Cidadania); Juju (UB) e Sávio Diniz (Republicanos). Isis argumentou que a questão da previdência é um problema crônico e estrutural. Citou ainda que o ex-prefeito Carlinhos Gomes teve as contas rejeitadas pelo mesmo motivo no passado.

Ter as contas reprovadas tanto no Tribunal quanto na Câmara gera consequências políticas para Ricardo Viana. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dependendo do enquadramento jurídico das irregularidades, políticos podem cair na Lei da Ficha Limpa e podem ficar inelegívies.

A reportagem entrou em contato com o ex-gestor e aguarda um posicionamento.