O prédio onde funciona a sede dos Correios em Petrópolis, localizado na Rua do Imperador, nº 350, no Centro Histórico, foi colocado à venda pela estatal. A medida integra o plano de recuperação financeira anunciado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em novembro de 2025, que prevê venda de imóveis, programa de demissão voluntária, readequação operacional e investimentos em infraestrutura tecnológica.
O imóvel foi construído em 1922 e possui área total de 1.282,50 metros quadrados, com 1.780,16 metros quadrados de área construída. O prédio é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) desde 1998. A primeira agência dos Correios em Petrópolis foi criada em 1848, e o atual edifício passou a representar, durante o período republicano, a modernização dos serviços postais e telegráficos no país.
Com a venda do imóvel, a agência que funciona no local, reaberta em fevereiro deste ano após obras de reforma, também deverá ser encerrada. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares do Rio de Janeiro (Sintect-RJ), ainda não há definição sobre a transferência dos funcionários nem da unidade.
"A agência funciona no local desde a fundação. Com a venda do complexo, a agência deixará de existir. Hoje a unidade funciona com sete funcionários. O sindicato tem atuado para evitar esses encerramentos, pois recentemente a unidade da Posse também foi fechada", afirmou Leonidas da Silva, diretor do Sintect-RJ.
Além de Petrópolis, outros três imóveis dos Correios no Estado do Rio de Janeiro foram colocados à venda, sendo um na capital, outro em Campos dos Goytacazes e um em Niterói. A expectativa da estatal é reduzir o déficit financeiro em 2026 e retomar a lucratividade em 2027.
A venda será realizada na modalidade de venda direta, mecanismo que permite a negociação sem licitação, exclusivamente para administrações públicas federal, estadual e municipal. Segundo os Correios, o objetivo é agilizar o processo quando houver interesse público e justificativa administrativa.
Em nota, o Inepac informou que acompanha o processo de venda e já encaminhou parecer técnico à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com orientações para garantir o cumprimento das diretrizes de preservação previstas no tombamento.
O instituto destacou ainda que os Correios têm ciência das obrigações de conservação do imóvel, inclusive diante de ação judicial em andamento junto ao Ministério Público Federal (MPF). O órgão afirmou também que segue adotando medidas para a salvaguarda do patrimônio, com acompanhamento da Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Os Correios foram procurados para comentar a venda e informar os custos de manutenção da unidade, mas não responderam até o fechamento desta edição.