Um acordo firmado entre a Turp Transportes, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis e a Prefeitura de Petrópolis, ao qual o Correio Petropolitano teve acesso, previa a regularização de pagamentos trabalhistas e autorizava a decretação de estado de greve em caso de novos atrasos. Menos de um mês após a assinatura do documento, os rodoviários da empresa voltaram a paralisar as atividades na manhã desta segunda-feira (18), prejudicando o funcionamento do transporte público em diferentes regiões da cidade.
Segundo a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), a paralisação ocorreu sem aviso prévio de 72 horas. O órgão informou que acompanhava as negociações entre a empresa e os trabalhadores para tentar evitar a interrupção do serviço.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis havia comunicado estado de greve da categoria e informou que a paralisação poderia começar oficialmente à 0h01 desta terça-feira (19), caso o pagamento do vale-alimentação não fosse regularizado pela empresa. De acordo com o sindicato, o movimento foi motivado pelo descumprimento de obrigações trabalhistas, situação que estaria causando insegurança financeira aos trabalhadores e às famílias.
Em nota divulgada às 17h15 desta segunda-feira, a Turp informou que "100% dos valores referentes ao vale-alimentação estão devidamente quitados" e que os saldos serão disponibilizados aos rodoviários até o primeiro horário da manhã desta terça-feira (19).
Na mesma nota, a empresa afirmou ainda que os rodoviários que estiverem "na liderança deste movimento ilegal" serão demitidos e anunciou a contratação imediata de novos motoristas. Mais cedo, a concessionária já havia publicado, por meio dos stories em uma rede social, vagas para contratação de motoristas.
Acordo firmado em abril
O documento obtido pelo Correio Petropolitano foi assinado em 27 de abril, durante uma reunião de mediação realizada no Sindicato dos Rodoviários, após a paralisação iniciada em 22 de abril por conta de pendências trabalhistas. Entre os compromissos assumidos pela empresa estavam o pagamento regular dos salários no quinto dia útil, do cartão alimentação no dia 15, do adiantamento no dia 20 e do benefício "dirigir e cobrar" no dia 30.
O acordo também previa a regularização de férias atrasadas, consignados, repasses de pensão e FGTS, além da apresentação mensal dos comprovantes de pagamento ao sindicato.
Outro trecho do documento estabelecia que, caso os pagamentos não fossem efetuados nas datas previstas, o sindicato poderia decretar estado de greve no dia seguinte ao vencimento. Em contrapartida, os trabalhadores concordaram em encerrar a paralisação naquele mesmo dia.