EDITORIAL

Os efeitos positivos de se prevenir ao El Niño no verão

Os efeitos positivos de se prevenir ao El Niño no verão

A preparação para eventos climáticos extremos deixou de ser uma opção para se transformar em uma necessidade. Diante da possibilidade de que os efeitos do El Niño se intensifiquem no Brasil nos próximos meses, especialmente durante o verão, órgãos públicos e empresas precisam antecipar cenários, revisar protocolos e colocar em prática ações de contingenciamento. Esperar a tragédia acontecer para então agir é uma estratégia que custa vidas, recursos e tempo.

O verão brasileiro já é marcado por chuvas intensas, temporais, vendavais, alagamentos e deslizamentos. Em um cenário de alterações no padrão climático, esses fenômenos podem ganhar ainda mais força ou ocorrer de maneira diferente do habitual, ampliando os riscos para cidades, estradas, redes de energia, sistemas de abastecimento, hospitais, escolas e atividades econômicas. O planejamento, portanto, precisa começar antes que os primeiros sinais de emergência apareçam.

Para o poder público, isso significa fortalecer a Defesa Civil, atualizar mapas de áreas de risco, limpar e manter sistemas de drenagem, monitorar encostas e rios, ampliar sistemas de alerta e estabelecer rotas e estruturas para eventuais evacuações. Também é fundamental que municípios, estados e União atuem de maneira integrada, compartilhando informações e definindo previamente responsabilidades. Em situações extremas, minutos podem fazer diferença.

As empresas também têm papel importante nesse processo. Planos de continuidade dos negócios, protocolos para proteger funcionários, estoques e equipamentos, alternativas logísticas e sistemas de comunicação para situações de emergência podem reduzir significativamente os prejuízos. Uma interrupção provocada por um temporal não afeta apenas a empresa: pode comprometer cadeias de abastecimento e serviços essenciais para toda a população.

Mais do que reagir aos desastres, é preciso aprender a administrá-los antes que aconteçam. Isso exige investimento, tecnologia, treinamento e, sobretudo, uma mudança de cultura. Prevenção não pode ser vista como gasto, mas como proteção do patrimônio público, privado e à vida.

O El Niño é um fenômeno natural e seus efeitos não podem ser tratados como acontecimentos totalmente previsíveis. Justamente por isso, o planejamento deve trabalhar com diferentes cenários e graus de risco. Quanto maior a incerteza, maior deve ser a capacidade de resposta.

O próximo verão não precisa ser sinônimo de calamidade. Mas, para que episódios extremos não se transformem em tragédias anunciadas, a preparação precisa começar agora. Em matéria de clima, prevenir não significa prever exatamente o que acontecerá. Significa estar pronto para aquilo que pode acontecer.