A criação de um plano nacional para preparar o sistema de saúde para as emergências provocadas pelas mudanças climáticas representa um reconhecimento que já não pode ser adiado: a crise climática também é uma crise de saúde pública. Enchentes, ondas de calor, secas, incêndios e outros eventos extremos não provocam apenas danos ambientais e materiais. Eles aumentam a procura por atendimento médico, agravam doenças e criam novas demandas para um sistema que já trabalha próximo de seus limites.
O problema é que a relação entre clima e saúde ainda não ocupa o espaço que deveria nas discussões públicas. Quando se fala em mudanças climáticas, é comum que o debate se concentre em meio ambiente, infraestrutura e economia. A saúde aparece muitas vezes depois, quando as consequências já chegaram. Essa lógica precisa mudar.
Uma onda de calor, por exemplo, pode aumentar o risco para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Uma enchente pode provocar acidentes, contaminar a água e favorecer a disseminação de doenças. A fumaça provocada por incêndios compromete a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios. Uma seca prolongada pode afetar o abastecimento, a produção de alimentos e as condições de vida de comunidades inteiras.
Cada um desses episódios representa uma pressão adicional sobre o SUS. E essa pressão não acontece apenas no momento mais visível da emergência. Depois de um desastre, aumentam as necessidades de atendimento, acompanhamento médico, vacinação, controle de doenças, assistência psicológica e recuperação de estruturas de saúde. Quanto maior a intensidade e a frequência desses eventos, maior também será a demanda por recursos públicos.
É por isso que um plano nacional precisa ser entendido como uma política de prevenção, e não apenas como um protocolo para situações de calamidade. O objetivo deve ser preparar o sistema antes que os hospitais estejam lotados, antes que as unidades de saúde sejam atingidas e antes que municípios precisem improvisar respostas diante de situações que já poderiam ter sido previstas.
Mas para que dê certo, é preciso integração. Informações meteorológicas precisam conversar com dados epidemiológicos. Estados e municípios precisam ter protocolos claros para diferentes tipos de emergência.
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