EDITORIAL

Combate às fake news também é dever do eleitor

Combate às fake news também é dever do eleitor

O pontapé inicial da disputa pelo Governo de São Paulo aconteceu com ares de decisão antecipada. Neste domingo (9), às 20h, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) estiveram frente a frente no primeiro debate das Eleições 2026, na TV Band. Desta vez, os dois adversários que se enfrentaram em 2022 estavam sozinhos no estúdio, em um formato inédito de duelo direto. A campanha oficial só começa em 16 de agosto, mas a temperatura política já está elevada, impulsionada pelos dados da pesquisa Datafolha de julho, que aponta Tarcísio com 46% das intenções de voto contra 30% do petista, um cenário que indica a possibilidade de a disputa ser resolvida ainda em primeiro turno.

Enquanto os candidatos medem forças na televisão, outra disputa, muito menos visível e transparente, ocorre no bolso de milhões de paulistas: a guerra da informação nos aplicativos de mensagem. À medida que a eleição ganha corpo, multiplicam-se no WhatsApp e no Telegram postagens enganosas, teorias da conspiração e ataques orquestrados que buscam minar a integridade do processo eleitoral no Brasil e distorcer a imagem dos concorrentes.

A consolidação do WhatsApp como a linha central de transmissão das fake news eleitorais impõe um desafio inédito ao eleitorado. Diferente dos encontros televisivos, onde as declarações são feitas ao vivo e submetidas ao contraditório, os grupos fechados de mensagens funcionam como transmissores silenciosos de conteúdos manipulados. São áudios fora de contexto, vídeos cortados e textos sensacionalistas desenhados para despertar reações emocionais e gerar o compartilhamento compulsivo, sem qualquer compromisso com a verdade factual.

Nesse ambiente saturado de ruídos, a população assume uma responsabilidade democrática central. Saber em quem votar não pode ser uma decisão pautada pela última corrente recebida no celular. O voto consciente exige um esforço ativo de busca por fontes confiáveis, veículos do jornalismo profissional e canais oficiais de checagem.

Cair na armadilha de repassar mensagens duvidosas sem verificar a origem torna o cidadão um elo da cadeia da desinformação. Diante do primeiro debate e do início iminente da propaganda eleitoral, o combate à manipulação depende da maturidade do eleitor em furar a bolha das redes sociais, questionar o que recebe no WhatsApp e buscar fatos reais sobre a trajetória de quem pretende governar o estado.