O reconhecimento de municípios que investem em políticas públicas voltadas à população idosa é mais do que uma homenagem administrativa. A criação do título Cidade Amiga do Idoso representa um convite para que os gestores municipais repensem a forma como as cidades são planejadas diante de uma realidade que já se impõe ao Brasil: o envelhecimento acelerado da população.
Durante décadas, o crescimento das cidades esteve concentrado em temas como mobilidade, expansão urbana e desenvolvimento econômico. Hoje, uma nova variável precisa ocupar espaço nas políticas públicas. A população brasileira está envelhecendo, e isso exige mudanças que vão muito além da ampliação dos serviços de saúde.
Envelhecer com qualidade depende de um conjunto de fatores que começa nas calçadas, passa pelo transporte público, pela iluminação das ruas, pela acessibilidade dos prédios públicos, pelas oportunidades de convivência social e chega ao acesso a serviços de saúde e assistência. Em outras palavras, a qualidade de vida das pessoas idosas está diretamente relacionada à forma como as cidades funcionam.
Nesse contexto, reconhecer municípios que investem nessas áreas pode produzir um efeito positivo. Ao estabelecer critérios para a concessão do título, a nova legislação incentiva administrações municipais a transformar o envelhecimento em prioridade permanente, e não apenas em pauta ocasional. O reconhecimento deixa de ser um prêmio simbólico e passa a funcionar como um estímulo para que boas práticas sejam replicadas em diferentes regiões do país.
Mais importante do que conquistar um selo é consolidar políticas que permaneçam independentemente das mudanças de governo. O desafio do envelhecimento populacional não será resolvido em um mandato nem por uma única secretaria. Trata-se de uma agenda transversal que envolve urbanismo, saúde, assistência social, cultura, esporte, segurança e planejamento urbano.
Também é necessário abandonar a ideia de que políticas para pessoas idosas beneficiam apenas esse grupo da população. Uma cidade acessível é melhor para quem empurra um carrinho de bebê, para pessoas com deficiência, para quem se recupera de uma cirurgia e para qualquer cidadão que dependa de espaços públicos seguros e bem planejados.
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