Correio da Manhã
EDITORIAL

O desafio de desconectar os jovens nas férias

O desafio de desconectar os jovens nas férias

As férias escolares de julho representam um período aguardado por crianças e adolescentes. Longe da rotina das salas de aula, esse intervalo deveria ser sinônimo de descobertas, convivência familiar, criatividade e liberdade para brincar. No entanto, em muitos lares, o tempo livre tem sido ocupado quase exclusivamente pelas telas de celulares, tablets e videogames, transformando dias de descanso em longas jornadas de conexão digital.

A tecnologia faz parte da vida moderna e oferece oportunidades de aprendizado, entretenimento e comunicação. O problema surge quando seu uso se torna excessivo, substituindo experiências fundamentais para o desenvolvimento físico, emocional e social dos jovens. Horas seguidas diante de uma tela podem favorecer o sedentarismo, prejudicar o sono, reduzir a capacidade de concentração e limitar o convívio com familiares e amigos.

As férias são uma oportunidade valiosa para mudar essa realidade. Cabe aos pais e responsáveis assumir um papel ativo na organização da rotina, estabelecendo limites equilibrados para o uso dos dispositivos eletrônicos e incentivando atividades que despertem o interesse das crianças fora do ambiente virtual. Não se trata de proibir a tecnologia, mas de evitar que ela ocupe todo o espaço disponível.

Passeios em parques, brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, leitura, prática de esportes, visitas a parentes, momentos na cozinha preparando receitas simples ou até pequenas viagens podem criar lembranças muito mais significativas do que horas navegando pelas redes sociais ou assistindo a vídeos. São experiências que fortalecem os vínculos familiares, estimulam a criatividade e contribuem para uma infância mais saudável.

Também é importante que os adultos deem o exemplo. É difícil convencer uma criança a deixar o celular de lado quando os próprios pais permanecem grande parte do tempo olhando para a tela. O convívio familiar se fortalece quando todos se dispõem a compartilhar conversas, brincadeiras e atividades sem a constante interrupção das notificações.

Mais do que controlar o tempo de uso dos aparelhos, o desafio é oferecer alternativas atraentes. As férias não precisam ser caras nem repletas de grandes viagens. Muitas vezes, uma caminhada, um piquenique, uma partida de bola ou uma tarde de histórias são suficientes para despertar a imaginação e fortalecer laços afetivos.

Ao final das férias, o que permanecerá na memória das crianças dificilmente será o número de horas passadas diante de uma tela. Serão os momentos vividos em família, as brincadeiras, as descobertas e as experiências compartilhadas. Julho pode ser, portanto, o momento ideal para devolver às crianças o prazer de explorar o mundo além dos dispositivos eletrônicos e lembrar que a melhor conexão ainda é aquela construída entre as pessoas.