Correio da Manhã
EDITORIAL

Um cuidado maior no inverno com o El Niño

Um cuidado maior no inverno com o El Niño

O inverno brasileiro sempre foi um mosaico de contrastes, mas em 2026, a estação nos impõe um desafio de proporções climáticas extremas. Sob a regência de um El Niño que se fortalece rapidamente e ameaça se consolidar como um dos mais intensos dos últimos tempos, a tradicional calmaria da estação dá lugar a um cenário de profunda preocupação. Não estamos diante de um inverno comum; o aquecimento anômalo do Oceano Pacífico alterou a dinâmica atmosférica e exige do povo brasileiro uma postura de vigilância constante e cuidados redobrados.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a tônica deste período tem sido a perigosa combinação de calor atípico e índices alarmantes de baixa umidade do ar. O clima seco sobrecarrega o sistema respiratório, facilitando a propagação de viroses e problemas pulmonares. Aqui, o cuidado individual — com hidratação contínua e atenção especial a crianças e idosos — precisa andar de mãos dadas com a responsabilidade coletiva de evitar queimadas, que devastam nossos biomas e asfixiam nossas cidades.

Enquanto o Brasil Central seca, a Região Sul enfrenta o extremo oposto. O excesso de chuva e o risco severo de enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra colocam em xeque a infraestrutura urbana e a segurança de milhares de famílias. O inverno sulista exige solidariedade ativa e respeito rigoroso aos alertas da Defesa Civil. Não há margem para negligência quando a natureza avisa, em tom impositivo, que as regras do jogo mudaram.

Mais do que apenas monitorar termômetros e pluviômetros, este inverno sob a influência do El Niño nos convoca a exercitar a prevenção. Cuidar de si, proteger o vizinho e cobrar ações públicas robustas de adaptação climática são os verdadeiros agasalhos que nos manterão seguros nesta estação de extremos.

Os efeitos do El Niño neste inverno serão apenas um alento para o que virá no verão, quanto as temperaturas deverão ficar mais elevadas e as chuvas ainda mais intensas. Por isso, o cuidado será maior ainda da primavera em diante. Que a estação das flores nos traga a energia suficiente para sobrevivermos a este efeito, que promete ser um dos piores da história.