Correio da Manhã
EDITORIAL

Os desafios diante da economia do futuro

Os desafios diante da economia do futuro

O mundo atravessa uma transformação econômica comparável às grandes revoluções industriais. A inteligência artificial, a automação, a digitalização dos processos produtivos e a transição para uma economia de baixo carbono estão redefinindo a competitividade das nações. Nesse cenário, o Brasil precisa decidir se será protagonista dessa nova etapa do desenvolvimento ou permanecerá reagindo às mudanças impostas pelo mercado internacional.

O país reúne condições privilegiadas para ocupar posição de destaque. Possui uma das maiores reservas de recursos naturais do planeta, uma matriz energética predominantemente renovável, um setor agroindustrial competitivo, um parque industrial diversificado e um mercado consumidor expressivo. Esses atributos, contudo, não garantem, por si só, crescimento sustentado nem liderança econômica.

A economia do futuro será determinada menos pela abundância de recursos e mais pela capacidade de gerar conhecimento, agregar tecnologia e aumentar a produtividade. Países que investem de forma consistente em inovação, pesquisa, infraestrutura e qualificação profissional tendem a atrair investimentos, criar empregos de maior valor agregado e ampliar sua presença nos mercados globais.

No Brasil, entretanto, ainda persistem obstáculos históricos. A elevada burocracia, a insegurança jurídica, a deficiência logística, o alto custo tributário e a lentidão na implementação de reformas reduzem a competitividade das empresas nacionais. Soma-se a isso a dificuldade de formar profissionais preparados para atender às novas demandas de uma economia cada vez mais tecnológica.

A educação ocupa papel central nesse processo. O fortalecimento da educação básica, a expansão do ensino técnico e a aproximação entre universidades e setor produtivo são medidas indispensáveis para reduzir o descompasso entre a formação oferecida e as competências exigidas pelo mercado de trabalho. O desenvolvimento econômico depende, cada vez mais, da qualidade do capital humano.

Outro ponto decisivo é a capacidade de planejamento. O Brasil precisa construir políticas de Estado que transcendam governos e calendários eleitorais. Grandes projetos exigem continuidade, previsibilidade e segurança para investidores e empreendedores.