A criação de um comitê estadual para enfrentar os efeitos do El Niño no Rio de Janeiro pode representar uma mudança importante na forma como o poder público encara os eventos climáticos extremos.
Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, a iniciativa sinaliza que prevenir passou a ser uma necessidade permanente. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais evidentes, essa talvez seja a única estratégia capaz de reduzir perdas humanas, econômicas e ambientais. Antes tarde do que mais tarde.
Durante muito tempo, enchentes, estiagens prolongadas, ondas de calor e incêndios florestais eram tratados como acontecimentos excepcionais. Hoje, a realidade mostra que esses eventos se tornaram mais frequentes, mais intensos e mais imprevisíveis. A pergunta deixou de ser se eles vão ocorrer. A questão agora é saber o quanto as cidades estarão preparadas quando acontecerem.
A criação de estruturas permanentes de monitoramento e coordenação entre diferentes órgãos públicos demonstra que os desafios climáticos ultrapassam a atuação isolada da Defesa Civil. Saúde, infraestrutura, meio ambiente, agricultura, assistência social e segurança pública precisam atuar de forma integrada porque os impactos também são integrados. Uma onda de calor, por exemplo, não afeta apenas a temperatura. Ela pressiona hospitais, aumenta o consumo de energia, compromete o abastecimento de água e pode favorecer incêndios em áreas urbanas e rurais.
O Brasil já acumulou experiências suficientes para compreender o custo da falta de planejamento. Tragédias recentes em diferentes estados mostraram que reconstruir sempre será mais caro do que prevenir. Além dos prejuízos materiais, existem perdas que não podem ser reparadas, especialmente quando vidas são interrompidas por eventos cujos riscos já eram conhecidos.
A prevenção também exige investimento em informação. Sistemas de monitoramento, alertas antecipados, mapeamento de áreas vulneráveis e planos de contingência só produzem resultados quando acompanhados por uma população orientada sobre como agir diante das emergências. Preparação não depende apenas da capacidade técnica do Estado, mas também da participação da sociedade.
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