Correio da Manhã
EDITORIAL

Onda de calor na Europa liga alerta para a saúde

Onda de calor na Europa liga alerta para a saúde

A nova onda de calor que atinge o verão europeu deixou de ser um evento excepcional para se tornar um retrato inquietante da realidade climática contemporânea. Recordes sucessivos de temperatura em diferentes países evidenciam que o continente enfrenta um fenômeno cada vez mais frequente, intenso e duradouro. Embora episódios de calor façam parte da variabilidade natural do clima, o consenso científico aponta que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana estão ampliando sua intensidade e ocorrência.

A principal razão para esse cenário é o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, resultado da queima de combustíveis fósseis, do desmatamento e de atividades industriais. Esse processo intensifica o aquecimento global, elevando a temperatura média do planeta e favorecendo a formação de bloqueios atmosféricos, sistemas de alta pressão que dificultam a chegada de frentes frias e mantêm o ar quente estacionado sobre determinadas regiões por vários dias ou até semanas. Soma-se a isso o efeito das ilhas de calor urbanas, provocado pela grande concentração de concreto, asfalto e edificações, que absorvem e liberam calor continuamente, agravando ainda mais as temperaturas nas cidades.

Os impactos desse calor extremo vão muito além do desconforto. O corpo humano possui mecanismos para regular sua temperatura, principalmente por meio da transpiração. No entanto, quando o ambiente está excessivamente quente ou úmido, esses mecanismos tornam-se menos eficientes. Como consequência, aumenta o risco de desidratação, queda da pressão arterial, fadiga intensa, câimbras e insolação. Em situações mais graves, pode ocorrer a exaustão pelo calor e até o golpe de calor, condição potencialmente fatal caracterizada pela elevação da temperatura corporal acima dos limites seguros, comprometendo órgãos vitais como cérebro, coração e rins.

Os grupos mais vulneráveis são idosos, crianças, gestantes, trabalhadores expostos ao sol e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias. Entretanto, mesmo indivíduos jovens e saudáveis podem sofrer complicações quando submetidos a temperaturas extremas por longos períodos, especialmente durante atividades físicas intensas ou sem hidratação adequada.

Diante desse cenário, não basta tratar cada onda de calor como um episódio isolado. É indispensável investir em políticas públicas voltadas à adaptação das cidades, à ampliação de áreas verdes, ao fortalecimento dos sistemas de saúde e à redução das emissões de gases de efeito estufa. O calor extremo não representa apenas um desafio ambiental, mas uma questão de saúde pública e de justiça social. Ignorar seus sinais significa aceitar que eventos cada vez mais severos se tornem parte da rotina. Enfrentar suas causas e proteger a população é uma responsabilidade coletiva que não pode mais ser adiada.