Correio da Manhã
EDITORIAL

Ociosidade mais abandono pode ser igual à dignidade

Ociosidade mais abandono pode ser igual à dignidade

Ociosidade mais abandono pode ser igual à dignidade

A transformação do antigo prédio do INSS, na Rua General Osório, em um condomínio de moradias sociais, anunciada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, representa uma daquelas raras notícias capazes de unir bom senso, função social e inteligência urbana.

Em uma cidade onde milhares de famílias vivem o drama da moradia precária, não há como justificar a existência de imóveis públicos vazios, deteriorando-se lentamente, enquanto pessoas vivem em ocupações improvisadas, áreas de risco ou deixando de comer para pagar o aluguel.

A iniciativa anunciada pelo Governo Federal merece reconhecimento ao romper uma lógica histórica de abandono burocrático. O imóvel mencionado está ocupado desde setembro de 2025 por cerca de 60 famílias marcadas por alta vulnerabilidade social. A edificação, agora, poderá cumprir o que deveria ser a essência de qualquer patrimônio público, o de servir a população.

A medida abre um debate urgente sobre o destino de inúmeros imóveis da União espalhados pela Região Metropolitana de Campinas (RMC). São prédios, galpões inutilizados, terrenos abandonados e estruturas inteiras consumidas pelo tempo, enquanto o déficit habitacional cresce.

Em muitos casos, são espaços localizados em áreas centrais, com acesso a transporte, comércio e serviços públicos, nos quais a população de baixa renda quase nunca consegue morar.

O abandono de patrimônios públicos tornou-se uma paisagem silenciosa em várias cidades da região. Enquanto isso, famílias seguem empurradas para locais cada vez mais longes dos centros urbanos, aumentando as desigualdades.

O exemplo do prédio do INSS não deve ser apenas um caso isolado, ele deve servir de modelo para criar uma política permanente de reaproveitamento social de imóveis públicos ociosos com rapidez.

A União ainda se perde em disputas administrativas intermináveis, avaliações lentas, entraves jurídicos e falta de transparência sobre o volume de móveis, qual a situação deles e a destinação prevista. A sociedade tem o direito de saber quantos prédios seguem fechados há anos sem qualquer utilidade prática, com a máxima transparência.

A partir disso, acelerar os mecanismos legais para a cessão, adaptação e conversão desses espaços em moradias populares, equipamentos sociais ou serviços públicos.

A experiência de Campinas revela que soluções existem quando há vontade política. Entre deixar um imóvel apodrecer ou devolvê-lo à sociedade, a escolha deveria ser óbvia...