Opinião

A seriedade das escolhas políticas para os próximos anos

A seriedade das escolhas políticas para os próximos anos

Cada real investido em Ensino Médio Integral (EMI) pode gerar até R$ 3,49 de retorno econômico ao estudante. É o que mostra um estudo recente conduzido pelos pesquisadores Enlinson Mattos, Natália Marchi e Vladimir Ponczek, com base em dados de egressos da rede pública de Pernambuco. O levantamento aponta ainda um aumento médio de R$ 172 na renda mensal e elevação de três pontos percentuais na taxa de emprego entre os egressos. São números que deveriam orientar qualquer decisão de investimento público em educação.

Este ano, com as eleições, será um teste importante para avaliarmos a seriedade das escolhas dos nossos candidatos. Os próximos governantes têm informações suficientes para investir naquelas políticas que apresentam os melhores resultados no médio e longo prazo. Eles têm novos dados de índices educacionais, como o Ideb e o Saeb 2025, e inúmeras evidências avaliadas ano após ano para apoiá-los. Não à toa, a expansão do Ensino Médio Integral foi mencionada em mais de 50% dos planos de governo de candidatos, tanto para a presidência quanto para governos estaduais nesta eleição, e vem ganhando cada vez mais espaço também em seus discursos, exatamente por ser uma das ferramentas mais transformadoras que temos para oferecer um futuro mais justo aos nossos jovens.

As escolas 100% integrais com jornada de 9h apresentaram as melhores notas do Ideb 2025. Nelas, os estudantes aprendem o equivalente a dois anos e meio a mais do que na escola parcial, considerando a média de Língua Portuguesa e Matemática. Os efeitos vão além do aprendizado: queda na gravidez precoce e na taxa de homicídio de jovens, melhores índices de empregabilidade e mais entrada no ensino superior. É uma diferença de trajetória que muda a formação de uma geração e devolve retorno econômico, aprendizado e perspectiva de vida.

O EMI possui mais de vinte anos de implantação e o que esses anos ensinam ao Brasil é que, para desenvolver uma sociedade, o resultado depende de compromisso contínuo com a qualidade, uma expansão que garanta equidade e avaliações periódicas que permitam melhorias. E isso vai além de ciclos eleitorais. Nosso país tem exemplos que ultrapassam mandatos e partidos, mas mantém compromisso. Pernambuco prosseguiu com a expansão sob governos de partidos diferentes e hoje tem mais de 60% das escolas da rede pública com Ensino Médio Integral. O Espírito Santo tem um histórico de crescimento consistente ano após ano e saltou de 18,6% das escolas ofertando Ensino Médio Integral em 2020 para 59% em 2025, crescendo 40 p.p. em cinco anos. Em 2026, o Ceará alcançou a marca de 88% das escolas da rede com oferta de tempo integral, incluindo a combinação de modelos pedagógicos como a união da escola de tempo integral com a escola quilombola, inaugurada em agosto de 2025. E tem a perspectiva de iniciar o ano letivo de 2027 com 100% de escolas em tempo integral.

Há ainda o Piauí, que mostrou que decisão política pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da região e no futuro dos nossos jovens. O estado se tornou o primeiro a alcançar 100% da rede estadual com oferta de Ensino Médio Integral com Educação Profissional e Tecnológica, em um grande salto em apenas quatro anos.

Esses casos têm estratégias e histórias diferentes, mas nos apresentam a mesma lição: quando um governo investe em uma política com retorno socioeconômico comprovado, monitora sua implementação e mantém o compromisso além de um mandato, o resultado aparece em aprendizado, renda e desenvolvimento. O Brasil não precisa de mais uma década de estudos para saber se o Ensino Médio Integral funciona. Nós já sabemos, e os governantes também. O que precisamos são estados dispostos a sustentar a política, sobretudo nas regiões de maior vulnerabilidade, onde ela tem mais potencial de reduzir desigualdade.

O compromisso que estados como Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Piauí já demonstraram nos indica caminhos viáveis. Esse é hoje o teste mais claro de seriedade de qualquer plano de governo para a juventude: não apenas o discurso sobre educação, mas o investimento em políticas públicas que garantam a educação em tempo integral para a construção de um futuro que vá além de uma gestão.