Flávio Bolsonaro, como se diz brincando lá no Piauí, queria fazer um giro e terminou fazendo um jirau. Ou alguém aí, inclusive entre os milhões que votaram nele, acredita que só porque foi derrotado nas urnas ele se tornaria automaticamente um perseguido político? Perseguido, sim, mas pela polícia, pela carrada de denúncias de corrupção e ladroeira de todpos os tipos possíveis, pelas quais terá de responder na justiça. Aliás, deixa eu me corrigir logo, antes que alguém o faça: haverá sim, e muitos, os que acreditarão na versão delirante de que o "líder" da direita, é uma vítima dessa "esquerda comunista e corrupta". E por isso, heroicamente saiu do Brasil para buscar abrigo num país sério, governado por um presidente honesto que lhe oferece providencial exílio. E não permaneceu aqui, onde um "comunista corrupto" acaba de fraudar uma eleição para se manter no poder. Como não acreditar nessa versão da fraude, se o presidente da nação mais poderosa do planeta foi quem fez essa afirmação?
A fuga de Flávio Bolsonaro apenas confirma os traços de seu péssimo caráter. E do caráter da família como um todo. E que família! O pai está preso por tentativa de golpe. O outro filho igualmente fugiu para os Estados Unidos onde vive nababescamente, provavelmente com a dinheirama obtiva de Daniel Vorcaro a pretexto de financiar uma biografia panegírica do pai. Agora, o ex-candidato a presidente pega um jatinho pertencente sabe-se lá a quem e igualmente toca pros States. Vale lembrar que o Eduardo Bolsonaro, que já mora lá há muito tempo, teve o mandato de deputado federal cassado por excesso de faltas e perdeu o emprego na Polícia Federal por abandono de emprego. Além disso, está condenado a 4 anos de prisão. E é acusado de interferir junto ao governo de Donald Trump para criar um clima de instabilidade ao promover retaliações contra ministros do STF e o seu próprio país. Eduardo fez de tudo e algo mais para impedir a condenação do pai pela tentativa de golpe de estado. Sem falar na interferência, junto com o irmão também fugitivo Flávio Bolsonaro, para a aplicação por Trump de tarifaços contra produtos brasileiros, que tiveram e continuam tendo fortes impactos negativos na economia nacional.
O que torna todo esse imbróglio mais repugnante e assustador é que tanto Flávio como Eduardo podem ser considerados, sem retoques, agentes do governo norte-americano "infiltrados" no Brasil, condição que os torna automaticamente suspeitos por ações de lesa-pátria. Na condição de senador, portanto com imunidade parlamentar e como detentor de foro privilegiado, é óbvio que Flávio estava protegido e vivia tranquilo, pois não corria riscos de processo ou de cadeia. Mas como daqui a três meses perde o mandato de senador e não foi eleito presidente da república, torna-se um cidadão igual a qualquer outro, portanto sujeito a processos e condenações pelos diversos delitos de que é acusado, muitos deles com provas robustas de sua participação e do usufruto dos milionários lucros ilegais obtidos em operações fraudulentas. Mesmo assim, a horda bolsonarista não via nele qualquer traço do miliciano corrupto e ocioso que sempre foi. E não por outra razão recebeu votação superior à de Lula no primeiro turno e por pouco não o derrotou no segundo, pois obteve apenas pouco menos de 3 por cento dos votos dados a Lula.
Sua fuga, que já estava planejada há muito tempo, apenas comprova o caráter desprezível de que é dotado. E da ausência de qualquer traço de respeito à democracia, que ele despreza tanto que nem esperou esfriar o sangue e já bandeou-se para os Estados Unidos onde sabe que pode contar com o apoio de Donald Trump para continuar, junto com o irmão, conspirando contra os interesses nacionais.
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