Opinião

O fim da escala 6 por 1 e o futuro do emprego nos postos de combustíveis

O fim da escala 6 por 1 e o futuro do emprego nos postos de combustíveis
O objetivo deve ser garantir que os postos continuem funcionando Crédito: Club Petro

O debate sobre o fim da escala 6 por 1 levanta uma questão central para o comércio de combustíveis: como garantir mais descanso sem comprometer a sustentabilidade das empresas e, principalmente, os empregos?

A qualidade de vida é fundamental, mas mudanças na jornada precisam considerar a realidade econômica do setor. No comércio varejista de combustíveis, com milhares de postos e cerca de 500 mil frentistas, a mão de obra representa mais da metade dos custos operacionais de muitos estabelecimentos.

Uma mudança sem redução proporcional do horário de funcionamento, em um cenário no qual o autoatendimento é proibido pela legislação federal e a terceirização enfrenta restrições nas convenções coletivas aplicáveis, pode elevar custos, comprometer a viabilidade dos negócios e colocar milhares de empregos em risco.

Diante disso, será necessário rediscutir alternativas, como a possibilidade de autorizar o autoatendimento de forma regulamentada e permitir a contratação de mão de obra terceirizada, respeitando as condições legais que vierem a ser estabelecidas. O objetivo deve ser garantir que os postos continuem funcionando, abastecendo o Brasil e preservando empregos.

Não se trata de ser contra o descanso do trabalhador, mas de reconhecer que mudanças na legislação precisam vir acompanhadas de condições reais para que as empresas possam se adaptar e continuar gerando oportunidades de trabalho.

O verdadeiro avanço não está apenas em garantir mais um dia de descanso, mas em assegurar que, depois dele, o trabalhador continue tendo um emprego ao qual voltar.