Opinião

A trilogia Divergente

A trilogia Divergente

A Trilogia DIVERGENTE (2011), INSURGENTE (2012) e CONVERGENTE (2013), da escritora norte-americana Veronica Roth, é literatura de ficção científica futurista e distópica para jovens. Aborda temas relacionados à identidade, à autoridade, à maturidade, à violência e às estruturas sociais de uma Chicago pós-apocalíptica.

Na saga, antepassados das personagens culparam pelas guerras os temperamentos, os traços da personalidade humana e a inclinação para o mal e não apenas a ideologia política, a crença religiosa, a etnia ou o nacionalismo. Tal conclusão veio depois de pesquisas laboratoriais de engenharia genética humana. Organizaram facções para erradicar os males responsáveis pela desordem mundial.

Distribuíram os cidadãos em 5 facções virtuosas: 1) contra a agressividade formaram a Amizade, reunindo conselheiros, agricultores e zeladores compreensivos; 2) para combater a ignorância criaram a Erudição, formando professores, médicos e pesquisadores inteligentes; 3) em oposição ao cinismo fundaram a Franqueza, providenciando líderes confiáveis e seguros para o judiciário; 4) para erradicar o egoísmo geraram a Abnegação, suprindo a demanda por líderes altruístas no governo; 5) para enfrentar a covardia se juntaram à Audácia, encarregando-se da proteção contra ameaças internas e externas. O trabalho em conjunto trouxe paz.

Para a distribuição, aplicavam nos jovens, aos 16 anos, testes de identificação do traço da personalidade e aptidão predominante. Com o resultado, eles deveriam escolher entre ficar onde nasceram ou migrar para a facção correspondente. Não havia possibilidade de retorno ou mudança.

No rito de passagem, eles eram submetidos a provas de esforço físico, estratégia, liderança e equilíbrio emocional. Os 10 melhores ingressavam na facção. Os demais, banidos da sociedade, exilados sem facção. Após o ingresso em uma facção, exercer o livre arbítrio era vedado e comprometer a segurança da população, punido com prisão ou morte. Aquele cidadão considerado DIVERGENTE, isto é, que possuía mais de uma aptidão, representava uma ameaça potencial, pois não poderia ser dominado, manipulado ou persuadido. Portanto, deveria ser exterminado. Por outro lado, nas facções, o indivíduo com uma única aptidão encontrava sentido, propósito e vida. Longe delas, a sobrevivência era impossível.

Para elaborar a trama, Roth adaptou a Teoria da Exposição, técnica de psicologia terapêutica usada na superação de traumas, medos ou para desenvolver preferência ou afeição maior por algo devido à repetição. Na obra, havia severos meios de condicionamento, departamentos de manipulação, apagamento da memória, soro da verdade, da submissão e outros. E sim, muita violência praticada em nome da ordem. Os DIVERGENTES rebelados, quando INSURGENTES contra as violações, bem reais, executadas pelas autoridades, ameaçavam o sistema rígido de controle social.

Até na ficção, divergentes que insurgem contra o status quo são perseguidos e exterminados.