Se o El Niño é capaz de provocar mudanças climáticas, prepare-se porque Petrópolis já enfrenta outro fenômeno: o El Niño Eleitoral. E, neste caso, não é preciso consultar nenhum instituto de meteorologia para saber que a temperatura vai subir — e muito — até outubro.
A eleição de 2026 provocou uma verdadeira avalanche de candidaturas na cidade. São nomes que aparecem de todos os lados, alguns conhecidos do eleitor, outros que começam agora a colocar o rosto na vitrine política. Para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal, a lista cresce, os grupos se movimentam e as articulações ficam cada vez mais intensas.
Petrópolis entrou numa espécie de alerta eleitoral. O clima esquenta, as conversas aumentam, as reuniões se multiplicam e, de repente, aquele conhecido que nunca falou em política aparece dizendo que "está pensando seriamente" em disputar uma eleição.
Tem candidato para todos os gostos. Tem quem venha da política tradicional, quem aposte na renovação, quem tenha experiência administrativa e quem esteja chegando agora, embalado pela vontade de representar a cidade. E, claro, não faltam aqueles que descobrem a vocação política justamente quando o calendário eleitoral começa a apertar.
O fenômeno, porém, merece ser observado com seriedade. Ter muitos candidatos não significa, necessariamente, ter mais representação. O que Petrópolis precisa é de representantes comprometidos com a cidade, preparados para enfrentar os desafios e capazes de transformar votos em conquistas concretas.
A política, afinal, não pode ser apenas uma temporada de promessas. Depois que passam os santinhos, os discursos e os tapinhas nas costas, ficam os problemas reais: saúde, educação, segurança, mobilidade, infraestrutura, turismo, geração de empregos e tantos outros.
E é aí que o eleitor precisa fazer a sua parte. Em meio à avalanche de nomes, será necessário separar quem está realmente disposto a trabalhar por Petrópolis de quem simplesmente está aproveitando a onda eleitoral.
O curioso é que, enquanto o El Niño climático pode alterar temperaturas e provocar fenômenos extremos, o El Niño Eleitoral tem outro efeito: aumenta a temperatura dos bastidores, provoca movimentações, alianças improváveis e, em alguns casos, até mudanças repentinas de direção. Até outubro, muita coisa ainda pode acontecer. Alianças podem ser refeitas, estratégias podem mudar e nomes que hoje parecem coadjuvantes podem surpreender.
Portanto, prepare o guarda-chuva, aperte o cinto e fique atento à previsão do tempo político. Porque, em Petrópolis, a sensação térmica eleitoral promete ficar cada vez mais alta.
E, no fim das contas, que vença não simplesmente quem conseguir fazer mais barulho, mas quem tiver melhores propostas, mais compromisso e disposição para trabalhar por Petrópolis. Porque avalanche de candidatos passa. O mandato fica. E a cidade é quem sente os efeitos dele. E, assim como nas previsões do El Niño, em que depois da tempestade o tempo volta a se acalmar, Petrópolis também terá de enfrentar a sua própria temporada eleitoral. No fim, passado o calor das disputas, das promessas e das articulações, que prevaleça aquilo que é melhor para a cidade.
E, como está escrito na mais perfeita e inerrante Palavra que existe, a Bíblia Sagrada: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." Salmos 30:5.
Que depois da tempestade eleitoral venha a bonança — e que ela seja acompanhada de bons frutos para Petrópolis.
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