Opinião

O homem é o lobo do homem

O homem é o lobo do homem

A frase título, escrita pelo dramaturgo grego Plauto (254-184 a.C.) na comédia Asinaria, foi popularizada pelo filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679). No sentido original o Homem é um desconhecido perigoso para o outro. Hobbes a usou nas obras Do Cidadão e Leviatã, explicando a violência natural da humanidade. Nelas, ele analisa o instinto predatório humano contra sua própria espécie, pois, em seu estado natural, não civilizado, sem regras sociais e sem governo, o Homem vive em constante medo e guerra.

Leviatã (1651), escrita em plena Guerra Civil Inglesa, é considerada a obra mais influente sobre filosofia política. Nela, o autor propõe a estrutura de um Estado forte capaz de garantir a ordem, a paz e proteger as pessoas de sua própria natureza destrutiva a partir de um contrato social em que os indivíduos abdicam da guerra.

A análise do Homem feita por Hobbes apresenta os princípios científicos da época (séc. XVII): as sensações, as várias paixões e sentimentos definem o Homem como egoísta, egocêntrico e inseguro; não conhecedor de leis sociais e sem noção de justiça: ele apenas segue as leis instintivas de sua natureza animal; muitas vezes age por inveja, competitividade, desconfiança e medo. Quando deseja a glória, trai os outros pelas costas. O individualismo prevalece.

O contrato social evitaria o extermínio mútuo. A figura bíblica e simbólica do soberano - Leviatã - é representada pelo gigante composto pelos corpos de súditos, expressando a totalidade do Estado e o poder soberano intimamente unido ao povo. Na mão direita do soberano, a espada simboliza o poder judiciário, a função garantidora da lei e punição aos desobedientes; o cetro, na esquerda, expressa a legitimidade e os direitos divinos e civis conferidos ao soberano pelo contrato social.

Hobbes destaca a semelhança humana nas capacidades e na expectativa de êxito. Nenhuma pessoa ou grupo pode reter o poder sem o legítimo contrato social. Sem ele o conflito seria eterno, homens contra homens. No estado de guerra, nada de bom, ou útil, é construído. Estando o Homem preso à autodefesa, ou à conquista, o trabalho produtivo é impossível. Somente a paz e a tranquilidade permitem a produção de conhecimento, a ampliação da produtividade, a necessária motivação para construir ou explorar, a criação artística em todas as suas manifestações e oferecem espaço para a sociedade prosperar. Sem elas, a vida do homem seria "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta".

A obra é uma reflexão profunda sobre a natureza humana e a função do soberano na garantia da ordem social. Sugere a organização da estrutura Estatal para garantir a paz e a segurança ao cidadão independente do regime, monarquia ou república. Critica o individualismo ameaçador da sobrevivência humana. A razão política é alicerçada no acordo mútuo, concedendo o poder central ao soberano, estabelecendo um sistema de autoridade legítima para prevenir o caos.

Alguns soberanos promovem o caos!